O sempre polêmico jornal de humor francês Charlie Hebdo trouxe na quarta feira uma capa em que estampa uma ilustração em referência a Copa do Mundo de Futebol feminino, que está rolando este mês na França. A imagem é de uma vagina com uma bola de futebol,  uma alusão ao quadro A origem do mundo, de Gustave Courbet. Em texto, uma frase de duplo sentido:

“Copa do Mundo feminina: vamos ter que engolir durante um mês”.

O verbo “bouffer” usado na frase, tem duplo sentido, e poder ser compreendido como engolir, mas também como uma forma vulgar de “transar”.

No editorial, o desenhista Riss escreve:

“Sempre criticamos duramente este esporte tentacular, presente todos os dias na mídia para nos distrair de coisas mais essenciais. Não há razão para que, com o futebol feminino, que nos é vendido agora como um novo sabão em pó, a posição do Charlie Hebdo seja diferente”.

“O futebol feminino também precisará contribuir para o emburrecimento das multidões para ser levado a sério e considerado equivalente ao masculino? […] É triste ver que a ambição do futebol feminino é ficar tão estúpido, vulgar e cínico quanto o masculino.”

A revista tem a tradição de criticar o esporte como real distração para assuntos mais importantes. Quando da vitória da França, em 1998, na
Copa, o jornal publicou uma edição especial com a manchete:

“O horror futebolístico”

Em texto, falavam da instrumentalização política do esporte, dos hooligans, e ainda da corrupção e o doping. A Folha de São Paulo tem uma matéria muito interessante sobre isso.

Na internet, muitos classificaram a capa como machista, misógina, escandalosa e nojenta. A feminista e cineasta Fatima Benomar disse que o desenho “reduz as mulheres ao seu entrepernas” e que “eles nos impõem mais uma vez a sexualização gratuita das esportistas, que já ouvem todo dia comentários libidinosos”.

Por outro lado, houve apoio, inclusive de mulheres, que defenderam a liberdade de expressão e de imprensa para que a revista possa publicar qualquer conteúdo. Com isso, voltou-se a usar o slogan Je suis Charlie, que se popularizou quando houve um atentado à redação da revista, em janeiro de 2015. Vocês bem devem se lembrar, que 12 pessoas morreram em decorrência do ato, 11 ficaram feridas. Dois irmãos muçulmanos, Saïd e Chérif Kouachi, entraram no escritório e atiram contra os funcionários, motivados por uma capa da Charlie Hebdo que satirizava o profeta Maomé.

 

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One thought on “Vagina e bola para falar da Copa do Mundo de Futebol Feminino”

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