Pelo menos essa é a minha análise depois de acompanhar a festa da imprensa estrangeira na noite de ontem. Os discursos políticos estavam presentes, mas suavizados. Com ampla gama de variedade entre os indicados ( ainda faltam diretoras mulheres), vencedores encontraram formas sutis de passar seus recados sobre racismo e feminismo, principalmente. A apresentadora da premiação Sandra Oh também falou de whitewashing, que é quando uma atriz branca é escolhida para atuar num papel que deveria ser de outra etnia. Ela exemplificou com Ghost in the Shell Aloha. Emma Stone, presente, fez um pedido de desculpas ao fundo. Em seu discurso de abertura ela elogiou o fato de produções estarem contando histórias de diferentes etnias.

Roma é inspirado nas lembranças da infância do diretor, tendo como protagonista Cleo, uma empregada doméstica de origem indígena, que trabalha e vive no casarão de seus patrões. Na sinopse, a produção é descrita assim:

“O retrato de um ano tumultuado na vida de uma família de classe média da Cidade do México no início dos anos 70.”

Roma levou duas estatuetas no Globo de Ouro, nas categoria de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Diretor, para o mexicano Alfonso Cuarón, e agora é de fato o filme favorito para vencer pelo menos um Oscar. Depois de vencer seu segundo prêmio, Cuarón fez um bom discurso sobre a questão Netflix/Cinema. O diretor questionou ao jornalista se seu filme, estrangeiro, em preto e branco e sem nenhum ator famosos, teria lugar em salas de cinema ou se quer ficaria de fato muito tempo em cartaz. O diretor acredita que o apoio das empresas de streaming é ótimo para que projetos que nunca sairiam do papel possam de fato existir.

Green Book: O guia, que estreia no Brasil apenas em 24 de janeiro, conquistou as categorias de Melhor Comédia ou Musical, Melhor roteiro e Melhor Ator Coadjuvante, para Mahershala Ali. O filme é de Peter Farrelly (Quem Vai Ficar com Mary?) , protagonizado por Viggo Mortensen Mahershala Ali, que interpreta o pianista Don Shirley. Mortensen vive Tony Vallelonga, um homem branco contratado como segurança para a tour que o pianista faz pelo sul dos Estados Unidos. O filme é baseado numa história de amizade da vida real, com a participação inclusive do filho de Vallelonga na concepção do roteiro.

O agradecimento do diretor, que ficou famoso por comédias estilo besteirol, foi bastante forte ( e longo) e falou sobre a história de segregação trazida pela produção, que se repete ainda nos dias de hoje, e que serve de lição para que vejamos as coisas de outra forma, entendendo não as nossas diferenças, mas nossas semelhanças. Outras produções também tratavam o tema racismo, Infiltrado na Klan, Pantera Negra e Se a Rua Beale Falasse, acabou se destacando Green Book, único entre estes com um diretor branco.

Agora, talvez a grande surpresa da noite tenha sido a categoria de Melhor Filme Drama. Bohemian Rhapsody levou e ainda rendeu o merecido Globo de Ouro de Melhor Ator para Rami Malek.

https://twitter.com/ThePlaylist/status/1082129419400069122

Olivia Colman venceu como Melhor Atriz Comédia ou Musical por A Favorita. O novo longa do cineasta grego Yorgos Lanthimos (O Lagosta) estreia por aqui em 24 de janeiro e conta uma história que se passa no início do século XVIII. Enquanto a Inglaterra está em guerra com os franceses, a atenção da rainha Anne é disputada por duas mulheres (Rachel Weisz e Emma Stone) que enxergam nesse laço com a soberana, a oportunidade de ascensão social e poder.

A categoria de Melhor Atriz Drama tinha muita torcida para Lady Gaga, mas ela teve que se contentar com o prêmio de Melhor Canção Original (Shallow, Nasce Uma Estrela).

Quem levou foi a Genn Close. O filme A Esposa, que trata de uma esposa que se anula para que o marido cresça profissionalmente, estreia nessa quinta. Em seu discurso, a atriz veterana alfinetou o sistema dizendo:

“O filme é chamado A Esposa, talvez por isso tenha demorado 14 anos para ficar pronto.”

Outro discurso bastante forte foi o de Regina King, que venceu como Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel em Se a Rua Beale Falasse, novo filme de Barry Jenkins.

https://twitter.com/mulhernocinema/status/1082101335946862592

Christian Bale levou como Melhor Ator Comédia ou Musical por seu papel em Vice. Na produção, que chega ao Brasil apenas em 31 de janeiro, Christian Bale está irreconhecível na pele do ex-vice-presidente americano Dick Cheney. Também no elenco, Amy Adams, Steve Carell e Sam Rockwell, como George W. Bush. E olha que o ator contou inclusive em quem se inspirou pra fazer esse personagem:

E seria muito injusto não falar da animação Homem Aranha no Aranha Verso. Franca favorita à categoria, levou o Globo de Ouro e segue sendo a animação que deve levar o Oscar pra casa.

Laura Dern, assediada desde os 11 anos Não convide para o mesmo palco: Gusttavo Lima e Alexandre Pires

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.