A morte por suicídio do magnata Jeffrey Epstein foi um dos assuntos mais comentados neste final de semana nos Estados Unidos e no mundo. Preso, acusado de tráfico sexual de menores e conspiração, ele seria julgado esta semana e se condenado, poderia pegar 45 anos de prisão.

Uma das questões diz respeito às irregularidades na vigilância do preso. Epstein já havia tentado suicídio durante seu confinamento, em 23 de julho. Assim estaria em um regime chamado suicide watch, no qual o protocolo obriga que os guardas verifiquem o estado do réu a cada 30 minutos. O The New York Times publicou uma matéria, tendo como fonte um agente penitenciário que disse que o procedimento não foi cumprido na véspera de sua morte. O jornal também conta que ocorreu uma outra violação: foi permitido ao detento ficar sozinho numa cela, duas semanas após a retirada da vigilância especial por risco de suicídio.

Jeffrey Epstein foi encontrado desacordado às 7h30 da manhã deste sábado, por motivo de enforcamento.

A morte em situação suspeita alimentou ainda mais as teorias da conspiração que envolvem o caso. Como o bilionário era amigo de personalidades famosas, inclusive do meio político, pelas internet e redes sociais surgiram muita fake news em que se sugeria que os amigos influentes sabiam e até acobertavam os atos ilícitos do amigo rico. Depois da morte de Epstein, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retuitou uma mensagem que duvidada da morte por suicídio, e sugeri que o preso tinha informações sobre a vida de Bill Clinton, este sim interessado na morte de Epstein.

Trump também conhecia Epstein, mas logo quando da prisão do bilionário, foi rápido em declarar que não era amigo e nem o admirava.

Detalhes do caso:

No começo do mês de julho, o magnata Jeffrey Epstein foi acusado formalmente de tráfico sexual de menores e conspiração, se condenado, poderia pegar  45 anos de prisão. Amigo de personalidades como Donald Trump e do ex-presidente Bill Clinton, o bilionário conseguiu fugir das acusações que diziam respeito a formação de uma rede de pedofilia. De acordo com a investigação, entre 2002 e 2005, Epstein pagou a dezenas de menores para que lhe fizessem massagens e atos sexuais. Essas meninas teriam sido levadas de outros Estados às suas residências em Nova York e na Flórida, sendo este um crime federal imprescritível.

As investigações apuraram que o acusado pagava “centenas de dólares” às menores pelos serviços, pedia inicialmente por massagens em que elas estavam com os corpos total ou parcialmente nus. Mais tarde, partia para ato sexual. Epstein incentivava as garotas a chamarem outras meninas em troca de dinheiro.

A primeira denúncia foi registrada em 2005, quando os pais de uma menina de 14 anos foram a uma delegacia de Palm Beach (Flórida) relatar o abuso sexual sofrido pela filha. O FBI identificou mais de 30 vítimas potenciais, a maioria de 13 a 16 anos. Epstein disse que os encontros eram consentidos e que não sabia que elas eram menores.

Em 2007, fez um acordo e recebeu uma sentença de 18 meses de prisão, durante a qual ele pode sair para o trabalho por 12 horas por dia, seis dias por semana. Depois de 13 meses, foi solto em liberdade vigiada. Em 2018, o Miami Herald publicou uma investigação sobre o caso que dizia que o então procurador federal Alexander Acosta propôs o acordo escondendo a extensão dos crimes e colocando fim a uma investigação do FBI, que buscava mais vítimas e ainda investigava se outras pessoas poderosas haviam participado do esquema. Desde 2017, Acosta era Secretário do Trabalho de Trump, e após as pressão relativa ao caso, pediu demissão. Quando de sua saída falou:

“Os crimes cometidos por Epstein são horríveis. Com as evidências que estavam disponíveis há mais de uma década, os procuradores insistiram que Epstein fosse preso, se registrasse como criminoso sexual e avisasse o mundo de que ele era um predador sexual. Agora que novas evidências e depoimentos adicionais estão disponíveis, a procuradoria de Nova York oferece uma importante oportunidade para levá-lo de forma mais completa à Justiça.”

Com a morte de Epstein, encerra-se o processo criminal contra ele, mas seguem as investigações sobre o caso. Os promotores podem entrar com processo contra outras pessoas acusadas de vínculos com a rede. Os advogados de muitas vítimas, inclusive, já anunciaram que continuarão buscando justiça.

 

La Casa de Papel RICA na S03 - com Thiago Uberreich Procurado pelo FBI está no Brasil

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