Hoje saiu uma entrevista muito foda com o cineasta José Padilha na Folha de São Paulo.

Sobre a série da Lava Jato, Padilha contou que estão escrevendo o roteiro dos oito primeiros capítulos e que iniciarão as filmagens no ano que vem. De acordo com o diretor, a série será lançada em todo o mundo. Sabemos que aquela história de Wagner Moura ter dito não ao papel de Sergio Moro foi balela, como nos esclareceu Marcos Prado, parceiro de Padilha desde Tropa de Elite. 

Em entrevista ao Omelete, Padilha disse que pretende mostrar para o público quem foram os investigadores, os procuradores e o juiz da Lava Jato, como a operação se desenvolveu, a pressão do governo e da Agência Brasileira de Inteligência sobre eles e as inúmeras intrigas e passagens a que o público não teve acesso na mídia. A ideia é contar a história de uma investigação, que ele cita como a mais importante que já ocorreu no país. O diretor frisou que não vai  debater política ou ideologia, mas sim expor muito cinismo, corrupção e demagogia, assim com faz a Lava Jato.

Para quem não sabe: a Operação Lava Jato foi deflagrada em março de 2014 pela Polícia Federal para investigar um esquema de lavagem e desvio de dinheiro envolvendo a Petrobras, e mais tarde algumas das maiores empreiteiras do país, levando à prisão de empresários e políticos e ajudando a intensificar a crise política que culminou no pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff .

Na entrevista que concedeu à Folha, o cineasta respondeu sobre as críticas feitas à Lava Jato, como por exemplo a questão de se exceder em prisões provisórias. Padilha explicou:

“Vamos abordar a Lava Jato da forma mais completa e isenta possível.”

Claro que uma das grandes expectativas é a forma com que será abordada a personalidade do juiz Sergio Moro. Se muitos o consideram controverso, Padilha acredita que ser controverso é, antes de mais nada, uma propriedade de qualquer pessoa que ofereça risco real ao PT e ao Lula.

Ainda deu tempo do cineasta falar sobre as últimas prisões acontecidas no Rio de Janeiro, cidade que foi cenário abrigou das tramas Tropa de Elite 1 e 2. Anthony Garotinho esperneando na ambulância, em razão da prisão preventiva na Operação Chequinho, fica na conta da Lava Jato?

“Acho injusto atribuir a performance de Anthony Garotinho à Lava Jato. O sujeito nasceu para ser ator de chanchada. Morri de rir.”

Padilha seguiu crítico: “Não sei como pessoas inteligentes puderam acreditar que uma policia incompetente, falida, corrupta e violenta como a do Rio, chefiada por um governador desvairado e ladrão, poderia resolver o problema da segurança publica Estado. Boa parte da mídia e do empresariado carioca fez vista grossa para a roubalheira do Cabral por acreditar nas UPPs, assim como boa parte da esquerda e da mídia brasileira fez vista grossa para o mensalão e para [a compra da Refinaria de] Pasadena por acreditar no PT. .”

“No Brasil, a miopia é generalizada, não tem ideologia.”

“Apoiar politico corrupto nunca vale a pena, tenha ele a ideologia que tiver.”

Lembrem-se que em Tropa de Elite 2 (2010), o diretor mostrou um governador do Rio saindo ileso dos escândalos. Hoje, mesmo com as prisões preventivas de Sérgio Cabral e de Anthony Garotinho, Padilha acredita ainda que a impunidade vá prevalecer:

Ele também falou sobre o protesto anti- impeachment feito em Cannes pelo pessoas de Aquarius.

Não me oponho a quem reclamou do impeachment. Nunca fui a favor. O correto teria sido o afastamento de Cunha e Renan, e a impugnação da chapa de Dilma-Temer no TSE. Isso não significa que eu defenda Lula e o PT. Vivemos uma briga de quadrilhas. A máfia que a esquerda elegeu, representada pela chapa Dilma/Temer e financiada pela maquina PT/PMDB, rachou ao meio sob a Lava Jato. Um capo traiu outro. No fim, são todos bandidos.

E foi então que Padilha cravou:

A Lava Jato é o único caminho, e é uma pena que a esquerda não admita os crimes do PT e passe a apoiar as investigações. Ser contra a Lava Jato agora é ajudar ao PMDB e ao PSDB, é fazer o jogo da direita.

 

Próximos projetos? Padilha revelou à Folha que segue com um projeto sobre o crescimento imobiliário de Nova York. a ideia era  centrada em um personagem inspirado em Donald Trump… Parece que o projeto segue vivo, mas terá ajustes de roteiro. Hoje morando nos Estados Unidos, o diretor ainda revelou que quer voltar ao Brasil, mas ainda não sabe quando fará isso. Hoje, José Padilha está na ilha de Malta, no Mediterrâneo, filmando seu novo longa, o drama Entebbe, sobre o sequestro de um avião por guerrilheiros palestinos.

 

 

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