Antes de qualquer papo, vamos rever a passagem de Carol Abras e Selton Mello, Verena e Ruffo, os investigadores da série FICCIONAL da Netflix, assinada por José Padilha.

Liberada na última sexta, os oito episódios da série deixaram alguns revoltados… Acontece que em uma fala do personagem inspirado em Lula, temos palavras que na realidade foram ditas por outro personagem, o senador Romero Jucá. Na vida, Jucá disse “tem que mudar o governo para estancar essa sangria”, se referindo ao impeachment de Dilma.

A irritação foi tamanha que teve declaração de Dilma, que disse que o cineasta cria “fake news” e ressaltou que a série mistura o escândalo do banco Banestado, que aconteceu na administração FHC, jogando para 2003, ano em que Lula assumia a presidência:

Teve boicote à Netflix:

Na verdade, movido não por um outro twitte que deixou o mundo virtual sem entender nada ( e outras motivações a respeito do conteúdo oferecido pela empresa) :

Usar a figura de Marielle associada ao lançamento de uma série? Exploração. E seria um merchan? O pessoal pirou e Marina respondeu:

Voltando à polêmica da frase do Jucá, que caiu na boca do personagem inspirado em Lula, José Padilha respondeu ao James Cimino, do Observatório do Cinema

Por que você achou que a expressão “estancar a sangria” deveria ser colocada no personagem que representa o Lula?

Não escrevi o roteiro do episódio 5, nem o dirigi. O roteiro foi de Elena Soárez e a direção foi de Marcos Prado. Seja como for, chequei os diálogos. São diferentes. Não houve transcrição por parte da Elena. Além disso, a repetição do uso de uma expressão idiomática comum, como “estancar a sangria”, não guarda qualquer significado. Delcidio usou a expressão “acordo”. Se Higino falar “acordo” ele é o Delcidio? O fato de o Jucá ter usado a expressão “estancar a sangria” não a interdita. Escritores continuam livres para fazer uso dela.

De fato, esse é um debate boboca, mas que revela algo: se a principal reclamação é o uso desta expressão, pode-se imaginar que o público petista está achando difícil negar todo o resto. Nada a dizer quanto aos roubos e desvios de verba públicas praticados por Higino e Tames com os empreiteiros…? Hummm… Interessante.

Quando Cimino pergunta sobre os critérios ideais para se dramatizar um fato histórico sem distorcer a realidade dos fatos, o diretor responde:

Quem é que detém o domínio da “realidade dos fatos” a que você se refere? O Lula? O Temer? O STF? O Marcelo Odebrecht? Me diz a versão realmente verdadeira que te digo como não distorcê-la!

A minha opinião? É ficção, mas a frase poderia ter sido outra… Pois era mesmo de conhecimento público. Agora, é ficção, FICÇÃO! Sobre a série, sem esse lance político todo, logo subo vídeo no canal.

Cineminha? Tem estreia pra todo mundo nessa quinta Teve Lollapalooza

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