Semana passada, a Gillette lançou um comercial em que condena o comportamento tóxico de homens em relação à assédio e violência. A marca partiu do questionamento do próprio slogan The Best a Man Can Get ( algo como O melhor que o homem pode ter) , usado há 30 pela marca, para questionar:

“Esse é o melhor que um homem pode ter?”.

O vídeo Nós Acreditamos: O Melhor Que Um Homem Pode Ser começa com cenas de bullying, comédias objetificando o corpo da mulher e outras situações de assédio e mansplaning:

“Nós temos sempre as mesmas desculpas: garotos serão garotos”

Então o vídeo faz referências às denúncias do movimento #metoo e reflete:

“Mas algo finalmente mudou e não há como voltar. Porque nós acreditamos no melhor do homem”.

Cenas trazem o comportamento de homens como Terry Crews, que foi uma das vozes masculinas a reforçar o movimento de denúncias, e a convocar homens a se responsabilizarem pela ação dos outros homens. O vídeo inclui dramatizações de homens intervindo em situações de bullying, violência e também no que se refere às mulheres. Garotos observam os adultos e preparam para o fechamento do comercial que diz:

“Porque os meninos de hoje serão os homens de amanhã”.

Nas internet houve uma divisão instantânea,entre aqueles que elogiaram e aplaudiram o tema abordado e outros que não concordam com a posição da empresa. O diretor da Gillette, Pankaj Bhalla contou que já esperava pela polêmica:

“Esperávamos um debate. Na verdade, uma discussão é necessária. Se não discutirmos e não falarmos sobre isso, não acho que uma mudança real acontecerá.  O anúncio não é sobre masculinidade tóxica. É sobre homens tomando mais ação todos os dias para dar o melhor exemplo para a próxima geração”.

Além dos que sentiram que o vídeo é ofensivo aos homens, alguns também questionaram se o comercial não é apenas uma forma de “lacrar”:

Pode soar falso, mas Poliana que sou, quero acreditar que mesmo marcas que já fizeram feio podem mudar, e acreditar também que um homem não se ofenda por sabe que outros ainda se justificam com o tal do “garotos serão garotos”. concordei muito com as colocações de um homem, Guillermo Alonso, que escreveu para o El País

“O anúncio do Gillette é o primeiro — ou, se não, um dos primeiros — que fala de masculinidade real. Não nega a força do homem, mas o convida a usá-la para apartar brigas, não para criá-las. Não nega que um homem goste das mulheres, mas o convida a demonstrar seu amor por elas detendo os babões que passam a mão nos seus traseiros e as interrompem quando elas falam.”

Mas o que explica o dobro de dislikes? Talvez uma mistura de tudo isso. Os que acham que marca te telhado de vidro, e por isso não deveria estar explicando como o homem deve ser, e os homens que se sentiram de fato ofendidos. Importante ressaltar que mulheres também fazem parte dos que criticaram a peça publicitária. Karol Markowicz , que não gostou da abordagem, escreveu para a Fox News e concluiu:

“O que precisamos é parar de insultar os homens. Não podemos elevar as mulheres derrubando os homens. Alguns homens vão concordar com anúncios que os insultam, mas, em geral, essas empresas estão ofendendo os homens e causando danos à sua causa declarada. No canal da Gillette no YouTube, o comercial recebeu mais que o dobro do número de “não gostar” do que de “curtir”.”

Para todos, gostaria de recomendar um documentário bem legal que se chama The Mask You Live In (2015). A produção entrevista educadores e especialistas, além de garotos e homens e nos mostra como a ideia do “macho dominante” afeta psicologicamente crianças, jovens e, no futuro, adultos nos Estados Unidos.

 

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