A nova mania no Instagram para colecionadores de likes, o #tenyearchallenge pede para que você poste uma foto sua atual e outra antiga, de dez anos atrás. No texto você pode falar de como estava a sua vida no passado, para o que evoluiu. Muitas atrizes famosas tem provado o valor de seus dermatologistas na arte de manter esses rostinhos xxxxovens. Nos posts a gente não sabe quando estavam dez anos mais novas:

Outras, como a protagonista de O Mundo Sombrio de Sabrina, Kiernan Shipka, são tão jovens que há dez anos eram criancinhas, no caso dela uma pequena integrante do elenco da série Mad Men, representando a filha de January Jones.

Maisa também muito pequena, com seus cachos <3

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#10YearsChallenge HAHAHAHAHA

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Tem também um pessoal postando a família crescendo. Como Sabrina Sato, que me 2009 estava loirona, e na foto atualizada carrega sua filha Zoe nos braços:

https://www.instagram.com/p/BsrEAcklQj-/

Caitlyn Jenner, que nesses dez anos pode assumi sua identidade de gênero, falou de aceitação em seu post no InstagramCaitlyn começou a transição de gênero há cinco anos, em 2015, fez inclusive uma cirurgia para suavizar os contornos da face e implantes de silicone.

“Isso sim é um desafio dos 10 anos. Seja autêntico com você mesmo.”

https://www.instagram.com/p/BsqZBpmhz71/?utm_source=ig_web_copy_link

Existem algumas críticas ao desafio, especialmente em relação a dar importância em como aparentamos nessa jornada de dez anos. Helena Price, uma fotógrafa e empreendedora do Vale do Silício, fez uma proposta diferente para o mesmo desafio:

“Vamos tentar algo diferente do que como você aparentava há 10 anos … No que você estava trabalhando ou tentando realizar? Como isso funcionou?”

Em sua própria narrativa, Helena contou:

“Em 2009 eu saí do meu trabalho bartender e mudei para São Francisco com $40, sem emprego e sem rede. Vendi o meu carro e coloquei o dinheiro num depósito para um quarto que encontrei no craigslist. Eu queria trabalhar em tecnologia, então eu pesquisei “cafés frequentados por pessoas que trabalham com tecnologia .”

E tem muita gente que está tirando a maior onda com essa histórias toda. Usado personagens do cinema ou pessoas parecidas para fazer um antes/depois bem humorado. A comediante Amy Schumer usou como seu antes uma foto da caracterização de Charlize Theron para o filme Monster- Desejo Assassino. 

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2009/2019 challenge

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Acho que melhorei em 10 anos.

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Agora, cuidado. Uma especialista em tecnologia, Kate O’Neill levantou uma lebre que faz também muito sentido:

“Eu há dez anos: provavelmente teria entrado na brincadeira e postado minhas fotos no Facebook e Instagram.

Eu hoje: penso em como todos essas dados podem ser usados para treinar algoritmos de reconhecimento facial a reconhecer o envelhecimento e sua progressão”

Em um artigo para a  Wired, ela justifica sua colocação não como uma tentativa de dizer que a brincadeira possa de fato ser perigosa, ou uma estratégia para roubar dados, mas que quis fazer uma alerta

“Eu sei que esse cenário é muito plausível e um indicativo de uma tendência sobre a qual as pessoas deveriam estar cientes”

Ou seja, devemos pensar sobre dados pessoais que compartilhamos. No caso uma tag que agrega fotos de uma mesma pessoa, com intervalo de dez anos pode servir para treinar um algoritmo de reconhecimento facial sobre características relacionadas à idade, e, mais especificamente, sobre envelhecimento e aparência quando ficam mais velhas.

Isso não é necessariamente ruim. A tecnologia de progressão de idade aplicada em fotos  pode ser  bastante útil para se encontrar crianças desaparecidas, por exemplo. Em 2018, a polícia de Nova Delhi, na Índia, identificou 3 mil crianças desaparecidas em apenas quatro dias usando a tecnologia de reconhecimento facial. Se o algoritmo estiver treinado para prever a aparência dessas crianças quando mais velhas, pode garantir a identificação de algumas desaparecidas por longo período de tempo.

No desafio, o compartilhamento de muitos contém ainda informações de universidades que frequentaram, cidades que moraram, desafios  que venceram, e isso também serve de banco de dados já peneirada, através da tag. Para a gente, esses dados soltos podem não parecer oversharing de informação, mas para quem colhe o todo dos dados, pode ser uma mina de ouro. Lembrem-se do caso Cambridge Analytica, que usou dados de 70 milhões de usuários do Facebook nos Estados Unidos.

Kate explicou até mesmo que a capacidade de identificar o envelhecimento poderia ser usada por empresas de saúde e seguros:

“Por exemplo, se você parece envelhecer mais rápido do que seus pares, talvez isso represente um risco maior para o seu plano de saúde”

É um alerta válido:

“Independentemente da origem ou intenção por trás dessa brincadeira, todos devemos nos informar mais sobre os dados que criamos e compartilhamos. A quem damos acesso a esses dados e as implicações para seu uso. Se o contexto fosse um jogo que declarasse explicitamente que estava coletando pares de fotos de antes e depois para uma pesquisa sobre progressão de idade, você poderia escolher participar tendo a consciência de quem teria acesso às fotos e com que finalidade”

 

 

 

 

 

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