Divulgada ontem, a reportagem de Daphne Merkin para a New York Magazine que trouxe pela primeira vez a palavra de Soon-Yi, mulher de Woody Allen, sobre a acusação de abuso contra o diretor, feita por sua própria filha Dylan Farrow.

“O que aconteceu com Woody é tão perturbador, tão injusto. [Mia] aproveitou o movimento #MeToo e desfilou Dylan como uma vítima. E toda uma nova geração está ouvindo sobre isso de uma forma errada”

Ela defende o marido e conta sua versão sobre o início do relacionamento com o diretor. Lembrem-se que Soon-Yi Previn é filha adotiva da atriz Mia Farrow e do maestro André Previn. Mia, mais tarde se casou com Allen, e segundo a entrevista, o relacionamento dos dois só se mantinha pelos filhos, e acabou em 1992, quando descobertas fotos polaroids tiradas por Allen e que retratavam Soon-Yi nua. Mia Farrow encontrou essas fotos, na casa de Allen, a garota já tinha 21 anos. Soon-Yi e Allen se casaram em 1997, ela com 27 anos e ele, 62. Permanecem casados até hoje e tem duas filhas adotivas, Bechet, de 19 anos , e Manzie, 18. .

Soon-Yi descreve Mia como uma mãe adotiva cruel, que não se conformava, por exemplo, da garota ter problemas de aprendizado:

“Mia costumava escrever palavras no meu braço, o que era humilhante. Então eu sempre usava camisas de mangas compridas. Ela também me deixava de cabeça para baixo, segurando-me aos meus pés, para fazer o sangue escorrer para a minha cabeça. Ela pensava que o sangue indo para minha cabeça me faria mais esperto ou algo assim”

A questão dos abusos que podem ter sido cometidos por Mia Farrow não é algo inédito. Soon-Yi fala de tapas no rosto, surras com escova de cabelo e xingamentos como estúpida e idiota. Moses Farrow, também adotado pela atriz já defendeu Allen das acusações e caracterizou a mãe como perturbada por inúmeros problemas psicológicos, contando que punia severamente a ele e seus irmãos adotivos, descrevendo o cenário como um processo de “lavagem cerebral”.

A entrevista traça a linha do tempo dos acontecimentos. Começa com a adoção da garota, segue para o período em que conheceu o diretor, quando tinha dez anos, Allen na condição de namorado de Mia. Não mantinham um bom relacionamento:

“Woody não estava interessado em nos conhecer crianças. E o sentimento era mútuo; nós não estávamos interessados em conhecê-lo. Eu o odiava porque ele estava com minha mãe, e eu não entendia por que alguém poderia estar com uma pessoa tão desagradável e malvada. Eu pensei que ele devia ser igual”

Mais a frente, o diretor ajudou a garota quando voltou com uma contusão de uma atividade na escola. Allen aconselhou a garota a procurar um médico ao ver o tornozelo inchado. Apenas em 1991 teriam firmado a relação, e cruzado a linha da amizade.

“Eu vim da faculdade de férias e ele me mostrou um filme de Bergman, acho que era o ‘Sétimo Selo’, mas não tenho certeza. Conversamos sobre ele, e eu devo ter sido incrível porque ele me beijou. Acho que foi assim que começou”

“Não fui atrás de Woody – onde eu teria coragem? Ele me perseguiu. É por isso que o relacionamento funcionou: me senti valorizada. Foi muita honra para mim.”

As acusações do abuso sexual de Dylan aconteceram seis meses depois da descoberta das fotos. Foi quando a atriz produziu um vídeo em que a garota conta o que teria ocorrido. Apoiadores de Woody Allen dizem que a menina teria sido manipulada para acusar o pai.

Existem algumas intervenções de Woody Allen na entrevista, em uma delas a entrevistadora, que é amiga e admiradora de Allen, pergunta sobre a a questão da paternidade de Ronan Farrow. Existe uma especulação de que o garoto seja na verdade filho de Frank Sinatra, com quem Mia teve um caso. Ele responde:

“Na minha opinião, ele é meu filho. Eu acho que ele é, mas eu não apostaria minha vida nisso. Eu paguei por apoio infantil para ele por toda a sua infância, e eu não acho que isso seja muito justo se ele não for meu.”


CRITICAS E RESPOSTA:

Os filhos de Woody Allen, Dylan e Ronan Farrow, responderam à entrevista. Dylan ressaltou que a matéria omite informações e foi realizada por uma declarada amiga do diretor. Ela também diz que foi contatada pela revista e questionada por exemplo se sua mãe teria à subornado com uma boneca para mentir sobre o pai, quando o tal brinquedo nem ao menos havia sido lançado quando do acontecido.

“Parte de um padrão documentado de toques inapropriados e abusivos que levou um juiz a dizer que não havia provas de que eu fui treinada e que não era seguro para mim estar na presença de Woody Allen.”

“A matéria falha ao não informar que um promotor encontrou indícios de causa provável de abuso por parte de Woody Allen que esteve em terapia por sua fixação em meu corpo.”

 

Ronan Farrow também saiu de defesa da mãe:

“Ela é uma mãe devotada que passou pelo inferno por sua família, ao mesmo tempo que criou um lar amoroso para nós. Mas isso nunca impediu que Woody Allen e seus aliados plantassem histórias que atacassem e difamassem minha mãe a se desviar da credível alegação de minha irmã.

Como irmão e filho, estou com raiva porque a New York Magazine participou desse tipo de trabalho, escrito por uma antiga admiradora e amiga de Woody Allen.

Como jornalista, fico chocada com a falta de cuidado com os fatos, com a recusa em incluir testemunho ocular que contradiga as falsidades nesta matéria e a falha em imprimir as respostas da minha irmã.

Sobreviventes de abuso merecem mais.”



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