Em um evento em Israel, a história de que a atriz Claire Foy, apesar de ser a protagonista Elizabeth II, recebeu menos do que seu colega Matt Smith, que interpreta o príncipe Philip, se confirmou.

A produtora Left Bank Pictures, responsável por The Crown, da Netflix, admitiu que a desvantagem salarial, e justificou valor maior pago ao ator ao seu currículo, que incluía o protagonista de uma das séries de maior sucesso do Reino Unido, Doctor Who, entre os anos de 2010 e 2014.

Ontem, os produtores divulgaram um pedido de desculpas aos atores Claire Foy e Matt Smith pela controvérsia.

“Nós queremos pedir desculpas para Claire Foy e Matt Smith, atores brilhantes e amigos, que se viram no centro de um turbilhão midiático nesta semana sem terem culpa. Nós da Left Bank Pictures somos responsáveis por orçamentos e salários; os atores não estão cientes de quem ganha o que, e não podem ser pessoalmente responsabilizados pelo pagamento de seus colegas.”

Em referência a um abaixo-assinado que rolou na internet pedindo que Matt Smith doasse a diferença de seu salário para o Time’s Up, movimento contra assédio e pela igualdade de gênero.

Os atores não se manifestaram e agora os produtores se comprometeram com a luta por pagamento justo e igual:

 “A partir de agora, ninguém ganha mais do que a rainha”

Nada mais justo, já que Claire Foy venceu prêmios importantes pela série como o Globo de Ouro de melhor Atriz, em 2017, e dois prêmios do Sindicato dos Atores e era de fato a protagonista da história. Mas o reajuste vem tarde para Claire. Para  próxima temporada Claire e Smith serão substituídos. Olivia Colman será a próxima rainha, protagonista e agora com a promessa de receber o maior salário da série.

Essa história de salários diferentes no meio artístico já deu o que falar. O que determina essa valor? A quantidade de cenas, a fama do artista? O que parece bastante claro, se considerarmos os atores e atrizes mais bem pagos do mundo, é que existe uma disparidade. No ano passado, a lista da Forbes das atrizes mais bem pagas do mundo trouxe Emma Stone, com ganhos de US$ 26 milhões (cerca de R$ 82 milhões) nos últimos 12 meses. O ator mais bem pago foi Mark Wahlberg, com faturamento de 68 milhões de dólares.

Sim, esses números incluem outras coisas que não apenas os cachês e bilheteria pagos pelos filmes, mas me parecem muito distantes.

Recentemente soubemos que Paul Newman doou metade do seu salário para Susan Sarandon durante as gravações de Fugindo do Passado, em 1998. A atriz contou, em entrevista à rádio BBC 5, que o ator ficou indignado ao descobrir que a colega recebia um cachê inferior ao dele, apesar de interpretar uma das protagonistas do longa. O jeito foi ele mesmo resolver o impasse, equilibrando o cachê dos dois.

Em 2014, no vazamento dos e-mails da Sony, descobrimos que Jennifer Lawrence mesmo sendo mais famosa e premiada que Bradley Cooper, Christian Bayle e Jeremy Renner, recebeu menos para fazer o filme Trapaça ( pelo qual, mais tarde, recebeu indicação Oscar). Amy Adams, protagonista, também recebeu menos na porcentagem de divisão dos lucros de bilheteria. A atriz declarou:

“Sabia que ia receber menos e ainda assim aceitei porque as opções se reduzem ao que você faz e o que não faz. Assim é preciso decidir se vale a pena. Mas isso não quer dizer que fiquei satisfeita.”

Sempre bom lembrar que além de Trapaça (2013), Amy Adams ( filme pelo qual recebeu indicação ao Oscar de melhor atriz), ela soma outras quatro indicações ao Oscar, todas como atriz coadjuvante: Retratos de família (2005), Dúvida (2008), O vencedor (2010) e O mestre (2012).

O curioso é que entre os e-mails vazados, o vice-presidente da produtora responsável, admitiu que recebeu um telefonema reclamando do fato de os homens estarem ganhando mais que as mulheres, mas não fez nenhuma alteração nos pagamentos.

Acho que o talento, o número de cenas e a fama dos envolvidos devem ser levados em consideração para se determinar o valor de seu trabalho artístico. Agora, é no mínimo estranho e muito ruim que pelos exemplos que temos vistos, as negociações sejam sempre bem sucedidas quando se tem um homem na ponta interessada. Essa inclusive é uma pauta do movimento Time´s Up que cobra das agências que administram as carreiras dos artistas a procura por pagamentos que sejam igualitários.

Em outras áreas a disparidade segue óbvia. No mercado de trabalho brasileiro, uma pesquisa realizada este ano pelo site de empregos Catho determinou que as mulheres ganham menos que os colegas do sexo oposto em todos os cargos, áreas de atuação e níveis de escolaridade pesquisados. Sabe de quanto é essa diferença? Pode chegar a quase 53%. Mulheres também são minoria nos principais cargos de gestão, como diretoria,

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