Fechando a oitava edição do Lollapalooza, Kendrick Lamar levantou o público em sua primeira apresentação no país. Quem viu? Quem esteve lá. O artista foi o único a não permitir a transmissão de seu show para a televisão.

A apresentação fechou a turnê do artista pela América do Sul, depois de passagens pelos Lollas da Argentina e Chile. Dividida em duas partes, foi pontuadas por performances visuais, que apresentavam o alter ego do artista, Kung Fu Kenny.  Kendrick, considerado tímido, incorporou sua persona de palco. E deu um show.

O ponto alto do show foi no hit Humble, cantado em coro pelo público. A prioridade foi para as faixas do álbum DAMN, lançado em 2017. O trabalho é vencedor de Grammy e também do prêmio Pullitzer de música.

O show começou com Element, e engatou em XXX, que originalmente tem participação de Bono Vox, e trata do assassinato de um jovem negro.

“Eu vou balear um preto por um pouco de nada
E vou ao tribunal tipo: vadia, eu fiz isso
Não há poder negro quando seu bebê é morto por um covarde
Eu não posso nem manter a paz, não foda com um dos nossos”

Depois rolaram Love e além de Humble, a parceria do artista com Rihanna, a faixa Loyalty. Do trabalho anterior, o também elogiado To Pimp A Butterfly, a faixa Alright fez o público cantar. A música é considerada hino dos protestos do movimento Black Lives Matter, que combate à violência contra negros nos Estados Unidos.

“Você não saberia?
Nós já fomos feridos, já fomos os capachos antes
Mano, quando meu orgulho estava lá embaixo
Olhando pro mundo fica tipo, Pra onde a gente vai
Mano, e nós odiamos polícia
Querem nos assassinar nas ruas, com certeza”

Para fechar, rolou trilha sonora de Pantera Negra, All The Stars:

O Brasil conquistou o rapper de Compton, que disse não querer sair do palco e prometeu voltar. Racismo, conflitos sociais e outros pontos que marcam o trabalho de Kendrick falam sobre a periferia de Los Angeles, mas couberam bem na boca, e quem sabe na vida, dos brasileiros.

Opa! Antes de fechar teve até a faixa Travis Scott que tem a participação de LamarGoosebumps.

O Prêmio Pulitzer

Causou estranheza? Talvez. Isso porque o Pulitzer raramente premia a música pop. No ano passado, por exemplo, o prêmio foi para o compositor experimental de ópera Du Yun. Desde 1990, algumas mudanças para a escolha dos premiados abriram as portas para que a honraria incluísse outras vertentes musicais. Desde então, artistas de jazz como Wynton Marsalis e Ornette Coleman já receberam o prêmio, assim como o musical Hamilton, versão moderna de Lin-Manuel Miranda, premiado em 2016.

No caso de Kendrick Lamar, que este ano perdeu o Grammy de Álbum do Ano para Bruno Mars, ele é o primeiro rapper a ganhar o Prêmio Pulitzer da música. Seu mérito, segunda a junta da premiação, é a habilidade de relatar o cotidiano afro-americano. Seu álbum, DAMN é o preimiro reconhecido pela organização num segmento diferente do jazz ou orquestra. Foi descrito como:

“Uma coleção de canções virtuosas, unidas por sua autenticidade vernácula e seu dinamismo rítmico, que oferece vinhetas que capturam a complexidade da vida afro-americana moderna”.

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