Ontem, morreu aos 89 anos o diretor de teatro Antunes Filho. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde a semana passada, com problemas respiratórios, e ali descobriu-se que sofria com câncer de pulmão em estágio avançado. Oficialmente, a causa da morte não foi divulgada.

O velório está em andamento, no Teatro Sesc Anchieta, aberto ao público.

Zé Celso, também diretor de teatro, resumiu a importância de Antunes Filho em vídeo para a Rede Globo:

“Ele recebeu muitos jovens, atrizes, atores e ele formou muitas gerações, muito mais do que eu. Quer dizer, morre um sujeito muito fértil, um homem de teatro muito fértil, muito poderoso e que teve a capacidade exatamente de trazer o que nós todos queríamos naquela época um teatro. Não digo brasileiro nacionalista, mas com encenadores do Brasil fazendo teatro no mesmo nível que se faz no mundo inteiro. Eu acho que o Antunes está nessa geração.”

Vários foram os atores que passaram pelas lições de Antunes, alguns como Giulia Gam, Alessandra Negrini, Camila Morgado, Laura Cardoso, Eva Wilma, Raul Cortez, Stênio Garcia, Bete Coelho e tantos outros.

Foi Antunes Filho quem criou o Centro de Pesquisa Teatral, escola de formação e grupo teatral por onde passaram importantes nomes do teatro nacional. Ele também integrou o Teatro Brasileiro de Comédia, entre os anos 50 e 60, além de fundar a companhia Pequeno Teatro de Comédia na década de 1950. Montou obras de Nelson Rodrigues e William Shakespeare e no cinema produziu e dirigiu o filme Compasso de espera, em 1973:

Lúcia Veríssimo também falou sobre a perda, e destacou um dos pontos altos da carreira do diretor, a montagem de Macunaíma, baseado na obra de Mário de Andrade, em 1978:

“Na minha formação, Macunaíma foi essencial para apreender o teatro. O mais moderno que vemos hoje no teatro, muito partiu dos ensinamentos desse homem. Obrigada Antunes Filho.”

Em 2013, o próprio diretor falou sobre a importância da montagem de Macunaíma:

“Macunaíma inaugurou um modo de ver teatro no Brasil, uma perspectiva, uma linha de fuga do teatro que se fazia, que eu fazia. Sua importância vai desde a construção do espetáculo, colaborativa já naquela época, até o revolver do mito do herói sem caráter brasileiro”

A última peça de Antunes Filho foi a montagem de Eu Estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse,  do francês Jean-Luc Lagarce, que teve temporada no teatro do Sesc Consolação, com estreia em setembro do ano passado.

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