Eis que na data de ontem, o perfil oficial do Exército Brasileiro postou uma homenagem ao Major do Exército Alemão, Otto Maximilian, que foi morto a tiros no Rio em 1968, em ação de guerrilha, confundido com o boliviano Gary Prado, que em 1967 havia participado da captura do líder comunista Che Guevara (1928-1967) na Bolívia.

O militar integrava o exército nazista na Segunda Guerra Mundial e veio ao Brasil em 1966 para participar de um curso do a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).

 

O site o exército publicou texto em que fala do “oficial brilhante” que “foi comandante de um pelotão de blindados na frente Oriental na 2ª Guerra Mundial, sendo promovido ao posto de 1º tenente, por bravura, em 1943”. Eles descrevem Otto como “um sobrevivente da 2ª Guerra Mundial e das prisões totalitárias soviéticas, cuja vida foi encurtada por um ato terrorista insano e covarde”.

Quando da publicação sobre a morte do oficial, o jornal Folha de São Paulo assim o descreveu, em 2 de julho de 1968:

“A vítima fora condecorada por Hitler quando da ocupação da França e recebera graves ferimentos quando do ataque do Exército soviético a Berlim. Terminada a guerra, permaneceu no Exército alemão, devido às suas qualidades de perito em artilharia”.

O jornalista Alexandre Garcia comentou com indignação a falta de punição aos que mataram o Major.

No post do exército muitos se manifestaram indignados com a homenagem a um nazista. Felipe Neto foi um dos perfis influentes a comentar o fato:

Filipe Figueiredo, responsável pelo conteúdo do Xadrez Verbal fez uma thread interessante, tetando esclarecer alguns pontos:

“Então, embora seja importante contextualizar que nem todo alemão na Segunda Guerra era nazista, o fato do homenageado ser um jovem tenente no fronte Oriental me faz crer ser impossível “colocar a mão no fogo” pela sua conduta durante o conflito.

Ele pode ter sido um oficial exemplar? Pode, mas também pode ter executado prisioneiros, civis, violentado a população local. Impossível saber. O benefício da dúvida fica ainda mais complicado quando vemos que, após o conflito, ele fugiu para a Argentina.

A Argentina de Perón, destino de Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen, foi notório refúgio de nazistas, desde cientistas, como o projetista Kurt Tank, até nazistas ferrenhos e da linha de frente, como o agente especial Otto Skorzeny.

No fim das contas, ficam outras duas considerações. 1, ele de fato foi primeiro oficial alemão a fazer intercâmbio no Brasil, tanto que, em sua homenagem ano passado, um representante da Bundeswehr estava presente. Esse tipo de homenagem pode valorizar essas relações.

2, mas qual o propósito de homenagear esse oficial apenas cinquenta anos depois, em 2018? Alguém cujo histórico não é precisamente conhecido? Mais, ele foi assassinado por engano e as autoridades nunca solucionaram o atentado contra sua vida. A verdade só veio a tona com o livro Combate nas Trevas, de Jacob Gorender, trazendo depoimentos dos envolvidos que achavam que estavam “vingando” Che Guevara matando um oficial boliviano. A morte do oficial nunca foi um grande símbolo da luta armada na ditadura.”

 

Fogaça na fogueira Nova série brasileira da Netflix, Sandman, Stranger Things 3, Dark 2 e Years and Years

One thought on “Major alemão é homenageado pelo exército e causa polêmica”

  1. Edinilson

    O exército está desonrando a memória dos pracinhas. Vergonhoso e canalha. Os proponentes desta “homenagem” deveriam ser expulsos e severamente punidos.

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