O jogador Neymar foi intimado a depor na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática do Rio de Janeiro para prestar esclarecimentos sobre a divulgação de conversas e imagens íntimas da mulher que o acusa de estupro. A intimação foi entregue ao jogador nesta segunda-feira , na concentração da Seleção Brasileira, na Granja Comary.

O jogador deve estar na disputa do amistoso contra o Catar na quarta-feira. Também na semana que vem, era esperado que prestasse depoimento na sede da delegacia especializada, na Zona Norte do Rio, na sexta feira. Acontece que na sexta, o jogador estará em Porto Alegre, concentrado para o jogo de domingo, contra Honduras. A assessoria jurídica da CBF tenta então transferir o depoimento para a próxima semana. A intenção é apurar se o atleta cometeu crime virtual.

Em relação à denúncia de estupro, as investigações acontecem em São Paulo, e a polícia vai ouvir testemunhas e o próprio jogador em algum momento.

No Jornal Nacional de ontem foi revelado que o primeiro escritório de advocacia contratado pela mulher que acusou Neymar de estupro rescindiu o contrato com ela por conta de uma diferença sobre a queixa que fariam contra Neymar. Segundo documento do escritório Fernandes e Abreu Advogados, que inclusive representou a mulher num encontro com o pai e os advogados de Neymar, a mulher primeiro teria afirmado que o sexo foi consensual, mas que teria havido agressão. O escritório teria concordado em denunciar o jogador por agressão, e não por estupro, como mais tarde foi lavrado no boletim de ocorrência. O escritório de advocacia também diz que a mudança na narrativa aconteceu depois da negativa de acordo entre os então representantes dela e os da parte de Neymar.

“A relação mantida com Neymar Jr. foi consensual, mas que durante o ato ele havia se tornado uma pessoa violenta, agredindo-a, sendo esse o fato típico central (agressão) pelo qual ele deveria ser responsabilizado cível e criminalmente”

O Jornal Nacional também entrou em contato com a agora representante legal da mulher, a advogada Yasmin Pastore Abdala, que mostrou a conversa dela com o ex-advogado, José Edgar Bueno. A garota diz:

“Por que a gente não joga logo na mídia para acabar com a carreira desse pipoqueiro logo de vez? Ele me espancou e me estuprou”

Ao que o advogado responde:

“Calma isso logo depois de apresentarmos a denúncia”

Segue com resposta da mulher:

“To com raiva, Zé, eu deveria ter matado ele quando tive a chance”, declarou.

O advogado responde:

“Não vai ficar impune. Mas você tem que saber que uma briga dessas demora, por isso tentei o acordo”

A garota então diz:

“Nem que eu tenha que me envolver com os caras do PCC”

Ao Jornal Nacional, o advogado José Edgard da Cunha Bueno Filho afirmou que foi contra qualquer “medida bombástica”, e revelou que tentou convencer a vítima a não divulgar um vídeo que teria sido feito no segundo encontro do casal, no dia 16 de maio. No documento de rescisão do contrato, o escritório também fala do encontro com o pai e dois advogados de Neymar, que teria ocorrido na última quarta-feira.

“foi rechaçada qualquer possibilidade de acordo extrajudicial na esfera cível por parte dos representantes de Neymar Jr., que menosprezaram o ocorrido.”

Em entrevista à Band, o pai de Neymar, Neymar Silva Santos, confirmou o encontro com os advogados da mulher e disse que se tratava de tentativa de extorsão. Contou que quado entrou no quarto do hotel, Neymar percebeu que havia um celular filmando-o e decidiu sair. A moça então teria agredido Neymar, que teria pedido que não fizesse escândalo e depois emitiu a passagem de volta dela para o Brasil.

Existe uma guerra de narrativas a respeito da proposta de acordo. Neymar da Silva Santos afirma que o advogado da modelo que acusou o filho de estupro foi a seu apartamento e pediu por dinheiro para retirar a denúncia. Existem até mesmo imagens das câmeras de segurança, que mostramo homem andando pelo condomínio em que o pai do jogador mora. Veja a nota do advogado Gustavo Xisto, que defende Neymar: 

“Como já revelado pelo sr. Neymar mais cedo na imprensa, de fato foi realizada uma reunião no dia 29 passado, em sua residência na cidade de São Paulo, em que estiveram presentes dois dos seus advogados, uma outra testemunha e o advogado que representava os interesses da suposta vítima. Na oportunidade foi solicitada uma compensação financeira (“cala boca”) para que a suposta vítima não relatasse as alegadas agressões às Autoridades Policiais.
Na oportunidade não foi apresentado nenhum laudo médico, tampouco vídeo, apenas fotografias.

Na data de hoje a defesa teve acesso ao Procedimento Investigatório, analisando as declarações e documentos apresentados. Diante do sigilo não podemos nos pronunciar sobre os seus elementos e conteúdo.

A defesa já se prontificou a colaborar com as investigações, inclusive para que as declarações do Atleta Neymar Jr. sejam prestadas oportunamente e as provas apresentadas.”

O Advogado José Edgard Bueno se defende dizendo, em carta enviada ao UOL Esporte, que o encontro que teve na residência da família Silva Santos foi uma “armadilha com o objetivo de criar um álibi para o seu protegido:

“Digno de nota o absurdo de uma reunião entre advogados ser referida, de maneira torpe, como tentativa de extorsão, ainda mais quando essa reunião só se realizou dado o convite feito pelos representantes de Neymar Júnior. Isso só demonstra que os representantes de Neymar Júnior, sabendo dos fatos, orquestraram verdadeira armadilha com o objetivo de criar um álibi para o seu protegido, em prejuízo da vítima e de seus antigos patronos”

O comunicado ainda explica a cronologia:

“O que se buscava era que Neymar Júnior reconhecesse as agressões praticadas, bem como a necessidade de amparar a ex contratante psicologicamente (arcando com o respectivo tratamento) e também fizesse a devida compensação pela violência perpetrada. Fizemos o primeiro contato com os representantes de Neymar Junior, por intermédio de uma reunião realizada em 29/05/2019. Esses representantes negaram qualquer possibilidade de acordo. Isso foi prontamente comunicado à ex-contratante. Logo, até aquele momento, todas as providências que nos foram demandadas foram tomadas de forma ética e legal. Todavia, a partir de 31/05/2019, dada sua frustração, a ex contratante tomou decisões à revelia de seus patronos. Esse fato fez com que renunciássemos ao nosso mandato em 01/06/2019, em mensagem dirigida à ex contratante.”

O Jornal Nacional também deu detalhes do relatório médico feito no dia 21 de maio, uma semana depois da alegada agressão em Paris. Nesse laudo, o especialista em aparelho digestivo Luiz Eduardo Rossi Campedelli reporta dor estomacal após episódio de estresse emocional, hematomas e arranhaduras. A autoria do laudo foi verificada pela reportagem do JN, e diagnostica síndrome dispéptica, transtorno ansioso depressivo e traumatismos superficiais.

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