Quem curte pornô deve conhecer bem a atriz Mia Khalifa. A jovem libanesa, hoje com 26 anos, já se aposentou da indústria da pornografia, e na verdade teve um período muito curto realizando vídeos em 2014. Acontece que exatamente nesse período, chamou a atenção do público quando filmou uma cena de sexo usando o hijab, véu islâmico. Pelo feito, ganhou popularidade ( hoje tem mais de 16 milhões de seguidores no Instagram), mas também conta que recebeu ameaças do grupo extremista Estado Islâmico.

Esta semana, a garota participou de uma entrevista ao programa HARDtalk da BBC, em que falou sobre a indústria do pornô, ameaças e a vontade de não se ver mais ligada à pornografia:

“Depois de sair (da indústria), minha conta no Instagram foi hackeada por apoiadores do Estado Islâmico, que postaram propaganda em todos os lugares. Então, o Instagram deletou e eu não fiz uma nova conta até um ano depois, quando decidi aceitar meu destino como a “infame” estrela pornô e tentar mudar a narrativa. Então, criei uma conta no Instagram novamente e tentei, na ausência de um termo melhor, me tornar uma influencer.”

Mais a frente, Khalifa falou sobre novamente sobre as ameaças que sofreu:

“Não falo do Estado Islâmico, porque não acredito que quem está profundamente envolvido com o EI tenha uma conta no Twitter. Eles puseram uma foto minha sobre a imagem de alguém decapitado e disseram… Não lembro exatamente o que disseram. Mas era algo sobre eu ser a próxima.”

As dificuldades são muitas já que em buscas no Google, o nome Mia Khalifa aparece sempre associado à estrela pornô. A garota, que cursou história na universidade do Texas contou como superou a insatisfação com o próprio corpo e ainda como entrou de fato para a indústria, aos 21 anos, através do convite de um garoto que a abordou na rua:

“Foi algo mais como: “Você é linda, gostaria de fazer uns trabalhos como modelo? Bem, é que você tem um corpo lindo.” Mais tarde, quando fui ao estúdio, encontrei um lugar muito respeitável, magnífico, em Miami, Flórida (EUA). Era limpo. Todo mundo que trabalhava lá era simpático. Todos os quartos eram decorados com fotos de família. Como se não fosse nada duvidoso ou que me deixasse desconfortável. Não filmei na primeira vez que entrei lá. Só na segunda. Na primeira, foi mais assinar a papelada, etc.”

Repensando sua história Khalifa avalia:

“Sinto que aquela menina não tinha sido preparada para perceber que estavam se aproveitando dela e que o que lhe diziam eram mentiras. Talvez, nem fosse mentira, mas uma tentativa de me manipular para que fizesse o que queriam. Eu realmente não me vejo como uma vítima. Eu não gosto dessa palavra. Tomei minhas próprias decisões, apesar de terem sido decisões terríveis. Acho que é preciso mudar a forma de se abordar mulheres, mesmo em uma simples aproximação.”

Também sobre sua decisão de entrar para a indústria, ela diz:

“O que tinha me levado a fazer pornô era achar que ninguém descobriria. Tem milhões de garotas que se filmam fazendo sexo e coisas assim, e ninguém sabe o nome delas. Ninguém sabe quem são. Eu achei que pudesse fazer do pornô o meu segredinho sacana, mas o tiro saiu pela culatra.”

Recriminada pela família, mesmo depois de deixar a indústria, Mia falou sobre seus ganhos financeiros com os trabalhos que realizou. De acordo com ela, algo distante do alcance do que produziu e uma situação recorrente em contratos com outras garotas. Ela recebeu US$ 12.000 por um total de seis vídeos, mas segue gerando milhões e milhões de dólares para empresas como Bang Bros e PornHub.

Sobre o vídeo com o hijab, que provocou sua saída da indústria, Khalifa contou que sabia que a repercussão seria muito forte, mas que não conseguiu recusar-se a fazer a cena:

“Intimidação. Estava assustada. Ninguém te força a fazer sexo, mas eu ainda estava com medo. Você já se sentiu sem graça de reclamar quando o prato vem errado no restaurante, e o garçom te pergunta “está tudo bem”? Fiquei intimidada, estava nervosa.”

A garota disse ainda que se sentiu intimidada muitas vezes, inclusive na assinatura de um contrato que não compreendeu exatamente por estar nervosa. Quando o entrevistador pergunta para a garota qual seria sua recomendação para ela mesma, quando aos 21 anos, andando pela rua na Flórida foi parada pelo garoto que disse “Você é linda, podemos trabalhar juntos”, Mia Khalifa respondeu:

“É para isso que você carrega um spray de pimenta na bolsa. Use-o. Corra!”

 

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