Hoje rola a abertura do Festival de Cinema de Gramado, e como já havia contado pra vocês, teremos a exibição do filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho.

Voltando um pouco no tempo, vamos relembrar o que aconteceu na estreia da produção, que foi exibida no Festival de Cannes, em maio. Na passagem pelo tapete vermelho, o diretor e a equipe fizeram um protesto contra o impeachment de Dilma. O protesto foi criticado pelo ministro da Cultura, Marcelo Calero.

Agora, com lançamento comercial marcado para 1º de setembro, o longa ganhou do Ministério da Justiça classificação de impróprio para menores de 18 anos. sobre isso, Kleber Mendonça declarou:

“A gente ficou surpreso. Há vários outros filmes recentes do cinema brasileiro que têm uma postura honesta com a sexualidade e que pegaram 14 e 16 anos, como Boi Néon, Para Minha Amada Morta, Praia do Futuro e Tatuagem. Não estou querendo polemizar como se isso fosse represália de governo,  não tenho essa informação. O relatório que a gente recebeu é profissional, mas, a meu ver, excessivamente técnico. Eu acho que as pessoas têm que olhar para o filme, não para uma cartilha”

O filme foi analisado na categoria de “sexo e nudez”, que versa sobre os tópicos “sexo explícito” e “situações sexuais complexas/de forte impacto”. Já o cineasta diz:

“Eu reitero a informação de que não há sexo explícito neste filme. Muito provavelmente a forma como uma cena é filmada faz com que a cabeça do espectador junte essas coisas. Mas, efetivamente, não tem penetração e outras coisas que a gente espera de filme de sexo explícito”

Outra polêmica acontece em relação a comissão que escolherá qual filme irá disputar a vaga brasileira no Oscar. A comissão é escolhida pela Secretaria do Audioviosual, ligada ao MinC , é formada por 9 pessoas, sendo que uma delas é o crítico Marcos Petrucelli, crítico ao ato de Kleber Mendonça em relação ao impeachment.

Claramente ele não gosta do filme. O que está no direito dele. De qualquer forma, dois diretores: Anna Muylaert, que poderia disputar a vaga para representar o Brasil na disputa ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com Mãe Só Há Uma, e Gabriel Mascaro, do ótimo Boi Neon ( curiosidade: tem cenas fortes de sexo e foi classificado como “não recomendado para menores de 16 anos”) desistiram de inscrever seus filmes em solidariedade a Aquarius.

Mais um polêmica foi a saída da comissão, do cineasta mineiro Guilherme Fiúza Zenha . Apesar de não comentar a saída, e alegar “questões pessoais”. Agora, só porque um dos integrantes da comissão não gosta do filme, será que todos não gostarão? De fato sabemos que o Ministério da Cultura informou não se manifestará sobre as polêmicas e  só divulgará a lista completa de filmes inscritos na próxima quarta (31.08), quando terminam as inscrições. A escolha do longa será anunciada após deliberação dos membros, em 12 de setembro.

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Kleber Mendonça Filho mantém Aquarius na disputa. e declarou à Folha:

“Tenho interesse em ver o processo se completar dentro das regras democráticas. Acho incrível o que [Mascaro e Muylaert] fizeram. O governo interino não tem familiaridade com a área da cultura e com a forma como nós somos unidos.”

Sabemos que outros filmes seguem inscritos, como Nise, de Roberto Berliner, protagonizado por Glória Pires, Tudo que Aprendemos Juntos, de Sérgio Machado, Mais Forte que o Mundo, de Afonso Poyart, e Pequeno Segredo, de David Schurmann.

Outro crítico de peso à comissão é Claudio Assis, de Big Jato, não inscreveu seu filme e acredita que a escolha seja um jogo de cartas marcadas.

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One thought on “A polêmica que envolve o filme Aquárius”

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