De acordo com o Relatório sobre a Lacuna de Produção, material complementar ao Relatório sobre a Lacuna de Emissões do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o PNUMA, a tendência mundial é que as produções de carvão, petróleo e gás natural aumentem muito mais do que o esperado para que fosse possível limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC ou 2ºC, que é o limite máximo estabelecido para que a situação de emergência climática da Terra não se agrave ainda mais.

O documento, inédito, avalia os projetos dos países relacionados à produção de combustíveis fósseis e conclui que os planos, se concretizados, irão dificultar o alcance das metas climáticas, uma vez que o mundo pretende produzir aproximadamente 50% mais combustíveis fósseis em 2030 do que o limite para cumprir as promessas do Acordo de Paris. Se o planeta caminha para produzir cada vez mais carvão, petróleo e gás, a redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa se torna cada vez mais difícil. No prefácio do relatório, a diretora-executiva do PNUMA, Inger Andersen, revela que as emissões de carbono permaneceram nos mesmos níveis projetados há dez anos, o que comprova que os países realmente não cumpriram suas metas climáticas.

O relatório chama a atenção especialmente para a produção de carvão, que se destaca diante do petróleo e gás natural. Isto porque os países, juntos, pretendem produzir 150% a mais em quantidades de carvão do que o máximo para que o aquecimento do planeta permanecesse na casa dos 2ºC e 280% a mais quando consideramos o limite de 1,5ºC. Quando analisadas as projeções de petróleo e gás natural, foi identificado que os países devem produzir entre 40% e 50% a mais de ambos até 2040 do que seria condizente à limitação do aquecimento em 2ºC.

Para além de apresentar os dados, o Relatório detalha quais seriam os caminhos para diminuir o déficit de produção – como limitar exploração e extração, remover subsídios e, claro, alinhar os planos de produção com as metas climáticas já estabelecidas. Mans Nilsson, diretor executivo do Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo (SEI), uma das organizações que participou do desenvolvimento do relatório, declarou: “Apesar de mais de duas décadas de formulação de políticas climáticas, os níveis de produção de combustíveis fósseis estão mais altos do que nunca. Este relatório mostra que o apoio contínuo dos governos à extração de carvão, petróleo e gás é uma grande parte do problema. Estamos em um buraco profundo – e precisamos parar de cavar”.

Além do SEI, participaram da produção do Relatório sobre a Lacuna de Produção o Instituto Internacional do Desenvolvimento Sustentável, Instituto de Desenvolvimento Ultramarino, Centro CICERO de Pesquisa Internacional em Clima e Ambiente, Climate Analytics e PNUMA. Cerca de 50 pesquisadores contribuíram ainda nas etapas de análise e revisão.

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