No último dia 4 de novembro, o Governo dos Estados Unidos notificou oficialmente a Organização das Nações Unidas, a ONU, sobre sua saída do Acordo de Paris – a medida já havia sido anunciada por Donald Trump, quando este ainda era candidato à presidência dos EUA, durante seu processo de campanha eleitoral.

Assinado em dezembro de 2015 por representantes de 195 países, o Acordo de Paris tem como objetivo principal minimizar os efeitos do aquecimento global a partir de três principais termos: estabelecimento de metas, que prevê que todas as nações signatárias são obrigadas a estabelecer estratégias para limitar o aquecimento médio do planeta a 1,5 graus centígrados até 2100; INDC, sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas, documento que apresenta as metas de cada país para reduzir suas emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa – as metas são voluntárias e, para minimizar o fato do cumprimento das contribuições não ser obrigatório, o acordo prevê revisões a cada cinco anos para que os países possam ajustar suas ações visando uma redução maior; e financiamento, que define a criação de um fundo de pelo menos 100 bilhões de dólares por ano para financiar projetos de combate às mudanças climáticas dos países mais pobres. A medida está previsa para 2020.

Na ocasião do anúncio dos EUA, feito pelo secretário de Estado Americano Mike Pompeo, o mesmo escreveu em sua conta oficial no Twitter que “os EUA têm orgulho do seu histórico como líder mundial em reduzir todas as emissões, promover a resiliência, aumentar nossa economia e garantir energia para nossos cidadãos. Nosso modelo é realista e pragmático”.

Justificativa

Apesar da ciência já ter comprovado que o aquecimento global é uma realidade – e segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), entidade que reúne 2500 cientistas de cerca de 130 países sob a chancela da ONU, o grau de certeza da participação do homem nessa elevação de temperatura do planeta seja de 95% – existe uma corrente cética, formada por cientistas, autoridades e cidadãos comuns que discordam dessa tese, alegando que a temperatura média da Terra sobe e desce com frequência desde o início de sua existência e que, portanto, o aquecimento do planeta faria parte de um ciclo natural.

É o caso do presidente Trump, que nunca escondeu sua postura cética diante das mudanças climáticas. Para ele, a “teoria” do aquecimento global seria uma forma de forçar os EUA a trocarem os combustíveis fósseis por energias limpas, o que acarretaria em perdas de empregos e competitividade para o país. A promessa de sair do Acordo de Paris, por exemplo, já era sinalizada por ele desde sua campanha presidencial.

Mesmo com a saída dos EUA, 187 dos 193 Estados-membros da ONU já se comprometeram com o acordo, sendo a Rússia um dos mais recentes. Enquanto isso, França e China, em resposta à rejeição do presidente Trump às mudanças climáticas, afirmaram querer adotar deliberadamente uma declaração de que as metas do Acordo de Paris de 2015 são irreversíveis.

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