Na última semana, Edkson Airoldi, diretor de tecnologia, empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp, apresentou ao Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) uma palestra intitulada “O Novo Rio Pinheiros”. Na ocasião, Airoldi destrinchou o projeto de despoluição do Rio do Governo de São Paulo que pretende deixá-lo totalmente limpo até 2022, explicando para o público presente o que exatamente será feito dentro desse objetivo.

O projeto prevê intervenções nas áreas das sub-bacias dos afluentes do rio, onde vivem 3,3 milhões de pessoas, além de ações socioambientais para engajamento da população. Assim como nos moldes do Projeto Tietê – que entre 1992 e 2018 construiu mais de 4,5 milhões de interceptores e levou coleta e tratamento de esgoto para mais de dez milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo -, para o Pinheiros a Sabesp mapeou toda a área do entorno, localizando ligações de esgoto a serem realizadas. Segundo dados do governo do Estado, o mapeamento identificou cerca de 500 mil imóveis que deverão ter seu esgoto encaminhado à estação de tratamento, sendo que 73 mil destes precisam ser conectados às redes de coleta.

Para isso, a Sabesp, que atua sob coordenação da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente e em parceria com a EMAE, a Cetesb, o DAEE e a CPTM, seguirá três linhas mestras de atuação: ações estruturantes e complementares, medição de qualidade da água e hidrologia e modelagem e simulação da qualidade da água, segundo Airoldi. Para o diretor da Sabesp, a maior parte do problema do Pinheiros hoje é saneamento, já que a carga difusa – poluição das águas gerada em localidades numerosas ou esparsas, como centros urbanos – é levada para o rio em período de chuvas. A ideia é que o rio seja útil para a população: por isso, em vez de tentar a despoluição direta, o foco serão os córregos que deságuam nele para que, com ajuda de estações de recuperação da água, a carga poluidora não chegue neles.

Algumas inovações serão direcionadas às áreas de urbanização informal, onde o esgoto acaba lançado nos córregos porque a ocupação não deixou espaço para instalação da infraestrutura de coleta. Nesses locais, segundo Airoldi, a Sabesp implantará estações especiais que vão tratar o próprio curso-d’água que os recebe. Das áreas que receberão investimentos maciços estão as bacias do Pirajuçara, Jaguaré, Cachoeira, Guido Caloi, Cordeiro e Água Espraiada. Outra medida será utilizar soluções que garantam uma condição 100% aeróbia ao Rio Pinheiros, ou seja, de oxigenação da água, para evitar o mau cheiro causado pela formação de gás sulfídrico.

Com isso, os resultados esperados, de acordo com levantamento da Sabesp, aumentarão o alcance da coleta de 89% para 94% em 2022, e o tratamento de esgoto de 55% para 94% até o mesmo período, encaminhando as contribuições de quase 500 mil unidades atendidas para Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Barueri. Mas isso, segundo Airoldi, não quer dizer que, daí em diante, o Rio Pinheiros ficará apto à prática de esportes ou contato direto com a água pelo consumo, mas sim de manter a oxigenação e melhorar a salubridade do entorno.

“Não é verdade dizer que a população vai poder nadar nele, porque quanto maior o rio, maior a vazão, e a capacidade de diluição é menor”, disse, lembrando que o mesmo foi feito em rios como Tâmisa, na Inglaterra, e Sena, na França. “Eles não cheiram mal pelas condições aeróbias, mas não dá para ter contato direto com as águas”, conclui.

 

 

* Com informações da assessoria de imprensa da ACSP

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