Na próxima terça-feira, dia 19 de novembro, é comemorado o Dia Mundial do Banheiro. A data, pouco conhecida, revela nossa falta de intimidade com o assunto. “Nós vamos ao banheiro de seis a oito vezes por dia. Passamos, ao todo, cerca de três anos da nossa vida dentro de banheiros. É um lugar feliz, capaz de mudar nosso humor. Mas não falamos sobre isso porque ficamos tímidos, temos vergonha. Se falamos tanto das bebidas e comidas que entram no nosso corpo, temos que falar também sobre o que sai”, declara Jack Sim, CEO da World Toilet Organization. Sim é um dos palestrantes confirmados na 19ª edição do World Toilet Summit, que acontece no Hotel Renaissance, em São Paulo, entre os dias 17 e 19 de novembro.

Para Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, que é anfitrião do WTS 2019, a presença do criador do evento na edição nacional é de suma importância. “Ele é um símbolo mundial da luta pelo saneamento básico e sabe qual é a realidade dessa questão no mundo inteiro. Quando uma pessoa como ele vem até aqui para conversar com a gente, as autoridades acabam prestando mais atenção no assunto. Isso porque ele traz uma noção de realidade mundial e consegue colocar no Brasil dentro do contexto internacional. É algo que repercute com a população, com a imprensa e com o governo”, afirma.

A falta de banheiro é um problema grave ao redor do mundo: mais de um bilhão de pessoas ainda não possui acesso a um banheiro se quer, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Unicef. Além disso, a realidade brasileira também assusta em outros sentidos: são 35 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, o que equivale à população do Canadá inteira, e 100 milhões sem coleta de esgoto – o principal destino desses dejetos segue sendo a natureza, como fossas, córregos e até rios e oceanos. “O país se desenvolveu muito em outras áreas, mas evoluímos muito pouco em saneamento básico. Na própria América Latina, nossa situação é pior do que a de países como Chile, Argentina e Colômbia. Estamos melhores que países da África e alguns da Ásia, é claro, mas precisamos nos comparar aos países desenvolvidos. Na Europa, por exemplo, o fato de uma pessoa não ter acesso a saneamento básico é uma ideia inconcebível”, diz o presidente executivo do Trata Brasil.

Segundo Édison, um dos motivos pelos quais o Brasil avançou pouco em saneamento é que, até 2007, não havia nenhuma lei específica para essa infraestrutura. “Ficamos 20 anos discutindo isso. Hoje, passados 12 anos, vimos que muita coisa ficou de fora daquela redação. Então, desde o Governo Temer, entidades estão sendo chamadas para discutir uma nova redação para a Lei do Saneamento”, conta. “Nós precisaríamos de 500 bilhões de reais, aproximadamente, para universalizar água e esgoto no país. O poder público não tem esse dinheiro, muito menos os estados e municípios. Precisamos de atores novos nessa caminhada, principalmente a iniciativa privada, que no mundo todo se envolve nesse setor e, no Brasil, tem uma participação praticamente inexistente. O novo marco regulatório busca especialmente isso: mais recursos, modernidade e tecnologia, juntando iniciativas públicas e privadas”, define.

Por fim, o porta-voz do Instituto reforça: “O marco regulatório é importante e precisa ser votado com urgência. Ele não vai resolver o problema do saneamento de forma definitiva, mas aponta caminhos interessantes e viáveis para isso”.

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