Marcela Rodrigues, natural do interior do Rio de Janeiro e moradora de São Paulo há cerca de dez anos, é consultora de consumo consciente e especialista em sustentabilidade na indústria da beleza e do bem-estar. Desde 2014, ela mantém o site aNaturalissima, pioneiro na temática do estilo de vida consciente, com conteúdos que se fazem um verdadeiro mergulho nesse universo. “Eu nunca fui consumista e, ao mesmo tempo, sempre fui curiosa em relação a esse tema, até porque trabalhei como jornalista de beleza e saúde. Desde criança tive hábitos naturais influenciados pelos meus pais, como remédios caseiros e receitinhas para pele e cabelo. Sempre tivemos horta em casa e costumes simples. Foi há mais ou menos seis anos que comecei a olhar para a questão ambiental, além da crueldade animal, presentes na indústria da beleza”, conta Marcela.

Para a consultora, o universo da beleza, apesar das pequenas mudanças, ainda prejudica muito o meio ambiente. “A grande indústria domina as prateleiras com produtos que, além de reforçar padrões estéticos e um cuidado excessivo, totalmente dependente de produtos, ainda usa fórmulas tóxicas, embalagens plásticas… Alguns ingredientes considerados nocivos já possuem substitutos sintéticos. Mas algumas marcas continuam usando parabeno*, por exemplo, porque é mais barato”, explica. “O nicho da beleza verde não vai parar de crescer porque é um caminho que não tem mais volta, mas um impacto real só virá de escolhas diárias por parte dos consumidores. É urgente parar de comprar de marcas poluentes e parar de investir em produtos que impactam negativamente nossa saúde e a natureza”, reforça.

A especialista diz que todos os produtos de beleza podem ser prejudiciais ao meio ambiente: “O problema não é o produto em si, mas o contexto que envolve a cadeia na qual ele é produzido, como embalagens, formulação e até propagandas, que muitas vezes tentam nos convencer a usar itens que não precisamos. Mas falando em impacto ambiental e saúde, vale pensar no combo fórmula tóxica + alta frequência de uso diário. Como sabonetes, shampoos, desodorantes e hidratantes. São itens que a mulher brasileira, por exemplo, usa mais de uma vez ao dia. Temos a chamada toxicidade crônica. Pense no impacto disso na saúde em uso prolongado. No meio ambiente é a mesma coisa”.

Marcela segue: “E mais do que em produto, vale pensar nos ingredientes mais associados à toxicidade, como parabenos, petrolato, triclosan, microsferas de plástico, chumbo… Eles podem estar em todo tipo de cosmético e produto, inclusive vários em um mesmo item! Por isso é tão importante se atentar aos rótulos. Faço uma série no meu Instagram chamada #ListaTóxicaDaBeleza, onde eu e uma dermatologista destrinchamos o significado desses nomes, cruzamos pesquisas científicas e traduzimos o impacto deles de maneira didática”.

Por fim, a autora do aNaturalissima conclui: “Precisamos desmistificarem a questão do sintético x natural. Há ingredientes sintéticos seguros assim como há uso não-sustentável de fontes naturais. No dia a dia podemos usar frutas, grãos e óleos vegetais pra cuidar da beleza e da higiene pessoal, mas quando uma indústria responsável une tecnologia e natureza é muito melhor para quem usa, no sentido de segurança e performance, e também cadeia produtiva. Para consumir consciente é preciso pensar no antes, durante e depois, ou seja, toda a cadeia de desenvolvimento de um produto”.

*Parabenos são uma classe de produtos químicos muito utilizados em cosméticos. Eles são conservantes eficazes em muitos tipos de fórmulas, por isso são utilizados para eliminar micro-organismos. Eles podem ser encontrados em shampoos, hidratantes, cremes de barbear, lubrificantes etc. Pesquisas observaram que eles podem ser tóxicos para as células humanas, além dessas substâncias terem sido encontradas em cancros de mama. Muitos subestimam os perigos dessa substância, porém em países desenvolvidos se limitou praticamente a zero o uso dele, pelos riscos e problemas diagnosticados pelo uso do produto. Leia mais sobre eles aqui

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