A Abrelpe, Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 1976, que congrega e representa as empresas prestadoras de serviços de gestão de resíduos no Brasil. Desde sua fundação até os dias de hoje, a empresa atua com a missão de promover o desenvolvimento técnico e operacional do setor no país, e faz isso por meio de publicações, pesquisas, eventos, disseminação de conhecimento de modo geral e parcerias.

A atuação é ampla, e segue com o objetivo primordial de aprimorar a gestão de lixo no Brasil como um todo, dando oportunidades a diferentes prestadores desenvolverem um serviço de qualidade, favorável ao meio ambiente e benéfico à vida da população. Confira abaixo uma entrevista com Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Qual a atual situação da gestão de resíduos no Brasil?

Desde 2003, a Abrelpe publica anualmente um panorama dos resíduos sólidos no Brasil, um compilado de dados sobre essa situação. Por meio dela, analisamos como vem evoluindo esse mercado. De acordo com a última publicação disponível, lançada no segundo semestre de 2018, constatamos que o Brasil gera, por ano, pouco mais de 78 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos – isso significa que cada brasileiro, por dia, gera 1 quilo e 35 gramas de lixo. Além disso, nós ainda não temos todas as casas de brasileiros cobertas por coleta seletiva – são aproximadamente 90% contando com o recurso. Ou seja: 1 em cada 11 brasileiros não tem coleta regular de resíduos sólidos urbanos, o chamado lixo doméstico, na porta de casa.

Como a produção de lixo e a coleta seletiva evoluíram dos últimos anos pra cá?

A Política Nacional de Resíduos Sólidos completou nove anos de vigência em agosto dese ano. Internamente, fizemos um balanço dos nove anos da lei e percebemos que, durante o período, a geração de resíduos sólidos no Brasil cresceu em 28%. A cobertura da coleta permaneceu na faixa dos 90%, mas o problema é que aumentou a quantidade de lixo que vai para locais inadequados, isto é, lixões e aterros controlados. Cerca de 30 milhões de toneladas por ano são destinadas a esses locais, o que acaba trazendo impacto negativo para o meio ambiente e para a saúde pública. Esse volume alto de lixo afeta a saúde de 75 milhões de brasileiros, que sofrem todos os dias de diferentes problemas de saúde causados pela má gestão de resíduos sólidos.

O que precisa ser feito para mudar esse cenário?

No país, nós temos essa Política Pública que traz uma série de direcionamentos positivos para avançarmos nesse sentido. A Lei ficou 20 anos em discussão no Congresso Nacional. Porém, nós ainda não conseguimos estabelecer uma relação direta entre a Política Pública e o impacto no dia a dia do cidadão, que não desenvolveu, em sua maioria, essa percepção do que precisa ser feito. Está na Lei, por exemplo, que é necessário reciclar, mas muita gente não entende que isso começa dentro de casa, na separação do lixo. Outra coisa que a Lei prevê é a redução na geração de resíduos sólidos – e isso é uma consequência da opção do consumidor na hora da compra, que precisa optar por produtos que vão gerar menos resíduo. As pessoas precisam entender que se não adequarem seus comportamentos a esse novo momento, o impacto será no meio ambiente onde vive esse mesmo cidadão.

O que nós precisamos, para além da política pública, é que o cidadão comece a perceber que ele é elemento fundamental em qualquer sistema de gestão de resíduos. Não adianta a prefeitura desenvolver um sistema super moderno e eficiente de coleta de lixo se as pessoas não separarem seus resíduos dentro de casa e não se atentarem quanto ao horário do caminhão de coleta, por exemplo. O caminho é criar essa relação direta entre o que nós, como seres humanos, fazemos, com o resultado que queremos.

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