Se hoje ao falarmos em Rio Pinheiros as primeiras palavras que surgem na sua cabeça são “lixo” ou ainda “poluição”, saiba que a imagem dele nem sempre foi associada a essas condições.

Nos tempos coloniais, ele era chamado de Jurubatuba – depois, virou Pinheiros por conta de um aldeia indígena na região cheia de árvores de espinhos, os chamados “pinheirinhos”. Nessa época, o rio era destinado a diversas atividades, como navegação, pesca, lavagem de roupas, prática de esportes ou simplesmente lazer. Com a degradação, todos esses usos foram deixados de lado.

Na década de 1930, o processo de grande urbanização de forma desorganizada que a cidade começou a enfrentar ocasionou no rápido aumento da produção de lixo e, consequentemente, dos casos de esgotos sem tratamento. Hoje, o rio, que é abastecido por diversos córregos e afluentes de vários pontos do Estado, desde o bairro do Jabaquara até a cidade de Taboão da Serra, vira destino final daquele lixo que as pessoas jogam negligentemente nas ruas – mesmo que o ato seja cometido em pleno centro da cidade.

São Paulo e a região metropolitana já cresceram poluindo o Rio Pinheiros, pois essa expansão toda se deu sem que houvesse uma infraestrutura sanitária adequada, como coleta de esgoto e controle de poluição. Aí, o rio se tornou responsável por tirar o esgoto da cidade. Ou seja, o caminho foi oposto: a cidade primeiro cresceu e depois foi atrás de implementar condições adequadas de estrutura, e não o contrário, como seria indicado.

No meio desse caminho, uma tentativa ousada foi adotada para tentar reverter o quadro que se estabelecia: inverter o fluxo do rio para gerar energia. E deu certo. Mas, em contrapartida, o rio, que antes era parte da comunidade, ficou isolado da população. Nos últimos anos, projetos de despoluição até alcançaram resultados, mas as águas ainda não foram recuperadas. Para isso, é preciso um esforço conjunto entre o povo e os governantes.

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