Se você tivesse que dar uma nota para sua vida sexual agora, sem pensar muito, qual seria? A nota não está muito boa, qual o motivo? Você sabe identificar o que afeta e atrapalha sua sexualidade?

Nem sempre as pessoas conseguem determinar a causa, e por isso não buscam tratamentos e ajuda especializada (ou nem sabem que existe essa possibilidade).

Um fator comum pode ser a dificuldade de comunicação com o outro e o não conhecimento das Linguagens do Amor, por exemplo, conceito do psicólogo Gary Chapman sobre as cinco maneiras de expressar e experimentar o amor com o parceiro/a. Às vezes a forma como você demonstra seu amor, como a vontade de ficar sempre próximo, encostando no outro, não é o mesmo jeito que seu namorado/marido percebe esse amor. Ele pode preferir dar presentes, talvez, e essas diferentes linguagens do amor podem dificultar inclusive a vida sexual de vocês.

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Listei outros exemplos para ajudar a entender um pouco mais sobre o que pode atrapalhar a vida sexual – na maioria das vezes é um combo desses fatores.

  • Preocupações financeiras – com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, este é um dos principais motivos de preocupação atualmente. Será que vou conseguir me manter no emprego? Será que meu salário será reduzido? Será que vou conseguir pagar os boletos e as dívidas?

A sensação de que se tem cada vez mais contas para pagar e menos dinheiro entrando ou o medo de não conseguir realizar sonhos, desejos e compromissos por falta de verba podem atrapalhar o desempenho sexual.

  • Estresse – mais um dos reflexos da pandemia, apesar dos índices já serem altos anteriormente. A pressão do home office, homeschooling, incertezas com a doença, isolamento social… pensar nisso pode afastar seu desejo sexual!
  • Cansaço – exaustão, noites mal dormidas, preocupações em dar conta de tudo, sentir que se tem tempo de menos e atividades de mais.
  • Remédios e/ou doenças – alguns medicamentos, como hipertensivos e antidepressivos, e doenças como diabetes podem interferir no desejo, na ereção, na ejaculação e no orgasmo.
  • Educação sexual repressora – Uma das formas de educação sexual que imperou mais fortemente até pouco tempo, mas ainda impera é o silêncio. E aqui é muito importante um entendimento: o silêncio não é isenção, mas uma postura adotada diante da sexualidade que pode ser prejudicial. Não existe não educar sexualmente. E principalmente no caso das meninas, além do silêncio, “fecha as pernas, isso não pode, não toca aí”, então crescemos com uma percepção de ser algo errado, proibido e até mesmo sujo. Essas crenças podem prejudicar a vida sexual adulta.
  • Mitos e tabus da sexualidade – cobrança pelo tamanho do pênis; diferença de desejo e de prazer entre homens e mulheres; mito da espontaneidade do desejo sexual; preconceito relacionado a determinados atos ou práticas sexuais (sexo anal, oral…) e à “performance individual”, a fantasias sexuais e aos objetos de sex shop.
  • Ansiedade e ansiedade de desempenho – A ansiedade costuma deixar a cabeça acelerada e trazer pensamentos futuros de “e se” e “será”, que atrapalham o sexo, tiram o foco do presente e do prazer que é fundamental para a excitação.

A ansiedade do desempenho provoca o objetivo da “performance perfeita/ideal” que está longe de existir: cada um tem gostos e prazeres diferentes, e todos estão sujeitos a falhas já que a perfeição não existe.

  • Falta de beijos e preliminares – O beijo é um dos termômetros da relação (e é aquele beijo de língua, nada de apenas bitoquinha), e deve ser usado para estimular o desejo e a excitação em todo o corpo junto com a masturbação e o sexo oral, por exemplo. Lembre-se disso no dia a dia, já que as preliminares duram do fim de uma relação sexual até o início da próxima!
  • Rotina e monotonia sexual – fazer tudo do mesmo jeito, início, meio e fim, quase como se fosse seguir um script, com dia e hora pré-estabelecida.
  • Baixo autoconhecimento – não conhecer o seu corpo, quais as áreas erógenas, onde e como sente mais prazer, como gosta de vivenciar a sua sexualidade.
  • Drogas – o uso pode prejudicar o desejo, os orgasmos, a lubrificação, a ereção e a ejaculação, e até interferir na fertilidade.
  • Filhos – em alguns casos, os pais começam a viver apenas em função dos filhos, e deixam de ser um casal também.
  • Baixa autoestima – acreditar que você não é bom o suficiente, temer ser deixado, sentir-se incomodado com o próprio corpo, achar que a qualquer momento será trocado por outra pessoa.
  • Perfeccionismo e necessidade de controle – achar ou sentir que “os astros precisam estar alinhados” para que a relação ocorra, ou querer tudo de forma perfeita, sem nenhum desvio do planejado, do jeito e da forma como idealizou.
  • Excesso de tecnologia ou pornografia – O excesso das relações irreais e editadas de produtos pornográficos atrapalha e não permite que o verdadeiro prazer seja obtido, bem como também o uso exacerbado das tecnologias e não estar no presente com a parceria.
  • Disfunções sexuais – baixo desejo, ausência ou dificuldade em ter orgasmos, ejaculação rápida, dificuldade em ter ou manter ereção, dor na relação sexual, ejaculação demorada.

Além de outros fatores que conversaremos mais para frente como: traição, desconfiança e/ou traumas; distrações; processo de envelhecimento; falta de atração pela parceria; o namorar não é uma prioridade; falta de satisfação sexual; relação de poder; ditadura do sexo e diferenças e crenças religiosas.

Muita coisa influencia na sexualidade e pode atrapalhar sua vida sexual. Sabendo quais são, você mudaria a pergunta feita lá no começo do texto? Que nota daria para a sua vida sexual, considerando todos os aspectos citados?

Aproveite o questionamento: “quando posso considerar que tenho de fato uma dificuldade e que preciso procurar ajuda?”. É importante salientar que cada um tem um limiar e uma forma diferente de sentir, entender e interpretar os acontecimentos, além de uma expectativa diferente em relação à sexualidade. Mas se você percebeu que pode ter dificuldades, procure ajuda! A sexualidade é para ser bem vivida.

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".