Planejar uma viagem para a Europa é um caminho sem volta. Isso porque tudo é tão prático que você vai desejar voltar sempre. Comigo foi assim: desde que pisei no Velho Continente pela primeira vez, minha bucket list só aumenta. 

Hoje chegou a sua vez de tirar todas as dúvidas sobre como organizar uma viagem para a maioria dos destinos europeus. Dicas de quem já viajou o mundo e sabe como tirar os sonhos do papel para transformá-los em roteiros inesquecíveis.

Vem comigo!

 

O que você precisa saber para viajar a Europa neste verão
O que você precisa saber para viajar a Europa neste verão

 

1) Emita seu passaporte

Para viajar para a Europa você precisa ter um passaporte. Ele é um documento pessoal, emitido pela Polícia Federal, que é solicitado ao entrar e sair da Europa. É super simples emitir o seu. 

Você só precisa dar entrada no site da PF, pagar uma taxa e ir pessoalmente no dia e horário marcados ao posto de atendimento. Em algumas semanas, você recebe seu documento novinho, pronto para receber muitos carimbos!

 

2) Visto para Europa

É bom esclarecer que o visto europeu é concedido quando você chega ao primeiro país (atualmente não é necessário pedir antes). Ao descer do avião, você será direcionado para a fila de imigração. Quando chegar a sua vez no guichê, é só apresentar seu passaporte e dar ao oficial as informações eventualmente solicitadas. Será ele que carimbará seu visto em uma das páginas do seu passaporte e, assim, sua entrada na Europa estará permitida!

Isso significa que mesmo que o seu roteiro passe por vários países da Europa, seu visto será dado logo no primeiro solo europeu que pisar (ainda que seja apenas uma conexão). Isso é válido pois muitos países europeus fazem parte de uma espécie de zona livre, chamada Espaço Schengen

Dessa forma, sendo aceito por um dos países desse Espaço, você será automaticamente aceito pelos demais, sem burocracia. Esse visto é válido por 90 dias para circular entre esses 26 territórios do Espaço Schengen. 

Porém, a partir do final de 2022 isso vai mudar e será necessário pedir o visto para Europa antes de embarcar. É o chamado ETIAS, um formulário de autorização online que vai gerar uma taxa e um pedido prévio de entrada que precisará ser aprovado.

 

 

3) Compra de passagens para Europa

Comprar passagens para a Europa exige uma expertise: usar a seu favor o stopover. Stopover é um benefício oferecido por algumas cias aéreas que, sem aumentar o preço da passagem, permite que você desembarque em outro lugar antes do seu destino final e depois pegue outro avião dando continuidade ao seu voo inicial.

Por exemplo, se seu bilhete aéreo é para Paris, porém antes de chegar à França, a aeronave para em Lisboa, você pode fazer um stopover de alguns dias na capital portuguesa, antes de pegar outro voo com destino à Cidade Luz. Em resumo: são duas viagens pelo preço de uma.

Portanto, ao planejar sua viagem para a Europa, pesquise por empresas que oferecem stopover.

 

4) Montar um roteiro 

Assim que você comprar sua passagem, é hora de montar o roteiro. Como os países europeus são numerosos, próximos e interligados, você deve programar seu passeio por países que juntos façam parte da mesma região, ao invés de sair cruzando o continente de um lado a outro. 

Eu sei que é tentador incluir em um mesmo roteiro Londres, na Inglaterra; e Praga, na República Tcheca; por exemplo. Mas em termos de valores e tempo dos deslocamentos, você pode priorizar os destinos mais próximos. Será bem mais interessante desbravar todo o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) ou explorar apenas os lugares do Leste Europeu (República Tcheca, Hungria, Polônia, Romênia etc). 

Logo, no momento de fazer o seu roteiro, estude as regiões e concentre-se em conhecê-las melhor ao invés de somar territórios aleatórios e distantes. A Europa é um continente para várias viagens.

 

5) Deslocamentos internos

Viajar pela Europa é vivenciar várias viagens dentro de uma só. Chegar no seu primeiro destino europeu é apenas o começo, pois certamente você cruzará várias fronteiras internacionais. E a boa notícia é: dá para circular facilmente de avião, trem e ônibus por todo o continente. 

É bem verdade que essa é uma das partes mais trabalhosas: conciliar todos os horários, aeroportos, estações ou trajetos pelas rodovias e alia tudo isso aos melhores preços e menores tempo de deslocamentos. 

Por isso, cuidado com as pegadinhas: há voos super baratos (lowcost) mas em aeroportos distantes e sem direito à mala. Vale considerar trechos de trem, embora mais caros; e não deixe de pesquisar os bilhetes baratos de ônibus, levando em consideração o tempo de estrada.

Então, não tem segredo: tem que pesquisar muito e ponderar todos os tipos de locomoção. Ah, e compre os trechos ainda no Brasil com 3 meses de antecedência. Na hora, eles costumam ser bem mais caros.

 

6) Passeios e atrações

Um dos fatos mais vantajosos de viajar para a Europa é que as maiores atrações são de graça. As cidades em si e seus principais monumentos estão disponíveis para apreciação gratuita. Ver a Torre Eiffel ou admirar os canais de Veneza não lhe custará nada, exceto se você quiser adicionar experiências, como subir até ao último piso da Torre ou andar de gôndola. Daí sim, precisará desembolsar uma grana.

Por isso, é importante programar os tours gratuitos e completar o seu roteiro com atrações pagas. Nesse último caso, recomendo que você viaje com todos os ingressos já comprados antecipadamente, pois atrativos muito disputados podem se esgotar facilmente. Um exemplo disso é o Museu de Anne Frank, em Amsterdam, cujos ingressos costumam acabar 2 meses antes. 

Uma outra boa pedida é adquirir o bilhete do ônibus turístico para as maiores cidades europeia. Eles funcionam estilo hop on hop off e param próximos aos principais pontos de interesse. Você pode subir e descer quantas vezes quiser dentro do prazo de validade do seu passe. É uma maneira de conhecer o básico de cada cidade sem gastar muito.

Há também passes unificados para transporte público com validade para 3 dias, 7 dias etc, cujo valor final sai mais barato do que comprar passagens diárias individualmente. 

Vale a pena também conhecer os cartões turísticos que dão acesso a várias atrações pagas, por um preço único. Tipo: um passe turístico para 10 museus em Viena é muito mais barato do que comprar cada entrada separadamente.

 

7) Hotéis na Europa

Minha experiência me permite trazer aqui alguns fatos sobre hospedagem na Europa. 

Fique sempre no centro histórico ou bem próximo a alguma estação de metrô, mas esteja atento pois as regiões nos arredores das maiores estações são mais esquisitas, embora nem sempre perigosas. 

Verifique as escadas. Prédios históricos dificilmente contam com elevador. O contrário também é verdadeiro: há prédios cuja fachada parece velha, mas internamente foi tudo reformado. 

Atente-se ao sistema de aquecimento ou refrigeração nas estações do ano mais severas. No verão, nem toda estadia tem ar-condicionado. Já no inverno, é preciso ter calefação.

E o enigma para se dar bem na hospedagem na Europa é um só: reserve seu hotel em plataformas seguras e que disponibilizem avaliações reais dos hóspedes. Leia todos os comentários que descrevem as condições das propriedades de forma muito honesta.

 

8) Cancelamento gratuito

Observe que até o momento, todas as minhas dicas são para o planejamento ainda em solo brasileiro. Esses tópicos precisam ser observados antes de fazer as malas propriamente ditas. Portanto, aqui vai um ensinamento: se possível, reserve tudo com cancelamento grátis

Pode até sair mais caro, porém é uma garantia de que você poderá mudar algum trecho de última hora, encontrar uma hospedagem melhor dias antes do embarque ou desistir de determinado passeio guiado.

 

9) Moeda

Grande parte da Europa adotou o Euro como moeda oficial. Esse é um dos motivos para encarecer sua trip. Por isso, vale a pena acompanhar as variações do câmbio, os preços dos serviços e se preparar para economizar. 

Há países que possuem outra moeda, inclusive nos patamares do real, como alguns lugares do Leste Europeu. Você pode até economizar fazendo um roteiro mais barato pela Europa. 

Lembre-se: ao procurar uma casa de câmbio para saber as cotações você estará interessado em comprar euro com real. Ademais, saiba que a transação gera impostos e taxas e você deve exigir comprovação da legalidade da transação. 

Aproveite que você está nessa fase de planejamento financeiro e peça junto ao seu banco para liberar seu cartão para uso no exterior. Do contrário, mesmo internacional, ele não vai funcionar.

 

10) Idioma

Ao contrário da moeda, o idioma na Europa não é padronizado. São muitas línguas. Por isso, o inglês te salvará na maioria dos países. 

Talvez, você encontre alguma dificuldade com as pessoas mais velhas ou países menos desenvolvidos, porém conseguirá se virar bem. Sobretudo, nos destinos muito famosos e locais turísticos.

 

11) Seguro viagem

Ao se aproximar os dias da sua viagem, é imprescindível contratar um seguro viagem para a Europa. Na verdade, é obrigatório contratar um seguro com cobertura de 30 mil euros para ser aceito. 

Essa é uma ação muito importante para garantir atendimento médico e outros tipos de cobertura em caso de imprevistos (extravio de bagagem, atraso de voos). 

Independentemente da obrigatoriedade, não economize nesse processo. Incidentes podem acontecer em qualquer lugar e você precisa estar preparado para evitar prejuízos financeiros. Uma dica é comparar as coberturas de diversos seguros de viagem e entender qual se encaixa com o seu perfil. 

 

12) Chip de internet ilimitada

Outra forma de viajar com segurança é garantir um chip internacional que funcione na Europa. Ele será extremamente útil para deslocamentos, reservas, tradutor e mapas.

Só para você entender: o seu chip nacional, certamente não funcionará automaticamente em outro continente. Exceto se você contratar um plano especial (que costuma ser bem caro), você dependerá do wifi grátis dos lugares. O que não é uma boa ideia!

Por conseguinte, é melhor sair do Brasil já com um chip pronto para funcionar assim que você desembarcar. E pode ficar tranquilo que o número do WhatsApp continua o mesmo e você se comunicará normalmente por ele com esse tipo de chip.

 

13) Fuso e tomadas

A Europa está de 4 a 5 horas à frente do nosso horário (varia um pouco de acordo com o horário de verão, quando existe). Esse é um detalhe que muita gente nem imagina na hora de planejar um roteiro para o outro lado do oceano. 

Outra diferença em relação ao Brasil é o padrão das tomadas. Se seus aparelhos elétricos são no padrão de apenas 2 pinos, você conseguirá usar as tomadas europeias. Todavia, se for de 3 pinos, precisará de um adaptador. 

E atenção para a voltagem da energia: na Europa é 220 ou 240. Se você tem um aparelho que é 110v pode queimar na hora do uso. Dê preferência a aparelhos bivolts.

 

14) Arrumar a mala

Confira bem a época do ano a qual ocorrerá sua viagem. Na Europa, as estações são bem marcadas resultando em paisagens e temperaturas muito diferentes entre si. E será esse período que vai ditar o que irá na sua bagagem. 

No inverno, os países mais ao norte são mais frios e você deve providenciar roupas térmicas para vestir por baixo das suas peças pesadas. Não menospreze as baixas temperaturas e realmente vá preparado para ficar exposto ao ar livre, vento e até neve. 

Ainda assim, procure viajar com uma mala leve, visto que na Europa os voos internos geralmente cobram por sua mala grande. E mesmo o acesso aos trens ou ônibus possuem plataformas altas que podem dificultar os seus deslocamentos em caso de mala muito pesada e grande.

 

 

15) Embarque para a Europa

Depois de todo o planejamento pré-viagem para a Europa, é chegada a hora do embarque. Prepara-se bem para o tempo de voo de, no mínimo, 9 horas. 

Viaje tranquilo assistindo filmes, séries, lendo, ouvindo música ou simplesmente dormindo. Atente-se para dar uma caminhada no corredor do avião para não ficar tanto tempo sem se movimentar (é raríssimo, mas pode favorecer uma trombose).

Ao chegar no primeiro país europeu e se dirigir para a imigração tenha facilmente em mãos os seus documentos e comprovantes para facilitar sua passagem pelo oficial. Pesquise bem como sair do aeroporto e, se possível, mais uma vez recomendo: já tenha o chip que pegue internet na Europa para te ajudar daqui para frente.

 

Dicas finais para planejar uma viagem para a Europa

 

Só para finalizar seu planejamento e pôr fim a uma dúvida bem recorrente de algumas pessoas que vão pela primeira vez à Europa é: sempre ande com seu passaporte. Não deixe no hotel ou faça cópias autenticadas, pois isso não tem o menor valor em casos de exigência de apresentação.

Para tal, use um porta-dólar ou doleira (não sei como se chama na sua região), que é tipo uma pochete fina na cintura para levar passaporte, dinheiro e cartões. O passaporte é o único documento que lhe identificará no exterior e você precisa ter ele sempre à mão para abordagens policiais, acidentes inesperados, ter desconto em atrações etc.

Em geral, os países são muito seguros, mas seja um viajante atento e não deixe suas coisas sem supervisão, pois sempre há aproveitadores de plantão, principalmente em lugares com grande fluxo de turistas. 

Ah, lembrei de outra dica: não dê bola para abordagens insistentes para lhe oferecer algo. Na maioria das vezes, é golpe. Em alguns lugares chega a ser desagradável a apelação, então siga em frente e não pegue, prove ou assine nada que não tenha certeza do que é. 

No mais, desejo muito que você inicie hoje mesmo o seu planejamento. Você perceberá que a pesquisa já é o início da realização do seu sonho.

 

Boa viagem!

Virginia Falanghe

https://vivaomundo.com.br/

Jornalista, apaixonada por viagens, natureza, aventuras e em compartilhar dicas para ajudar mais pessoas a viajarem mais e melhor. Quando não está viajando, está lendo, escrevendo ou falando sobre destinos do Brasil e do mundo. Já pisou nos cinco continentes e fez algumas paradas longas para morar na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Portugal. Atualmente, mora em São Paulo e escreve dicas de viagens no site da Jovem Pan, integra a equipe do programa Mulheres da Pan como especialista em turismo e também é editora-chefe dos sites Dicas de Viagem, Viva o Mundo e Pousadas Incríveis  Uma boa leitura e ótimas viagens.