As reclamações sobre baixa de libido ou baixo desejo sexual são muito comuns no consultório, e por isso quero te convidar a parar por alguns minutos e refletir sobre como está essa área da sua vida!

Você percebeu alguma dessas coisas diferente nos últimos meses:

  • Diminuição ou ausência de fantasias/pensamentos sexuais;
  • Baixo interesse pela atividade sexual;
  • Pouca iniciativa de buscar atividade sexual e/ou responsividade às investidas do(a) parceiro(a);
  • Baixa excitação/prazer na atividade sexual durante a relação;
  • Diminuição ou ausência de interesse/excitação em resposta a estímulos eróticos ou sexuais, internos ou externos;
  • Quase nenhuma sensação genital ou erógena durante a atividade sexual.

Se a resposta foi sim em vários dos itens, ligue o sinal de alerta, ou procure ajuda especializada – é possível que você esteja com baixa de desejo.

Minha recomendação é sempre pela busca de ajuda especializada, afinal muitas podem ser as causas dessas disfunções sexuais, mas uma questão que muitas vezes prejudica o desejo sexual é a crença errônea de que ele surge espontaneamente e não precisa ser cultivado.

Na adolescência, início da vida adulta, começo de um relacionamento (época da paixão), quando os hormônios estão em ebulição, quando não faltam estímulos sexuais (o copo do desejo fica cheio), há dedicação, paixão, e de fato o desejo vem “espontaneamente”.

Mas e quando essa forma espontânea deixa de aparecer, quando não estamos nessas circunstâncias, que são bem específicas? É a vez do desejo responsivo! Ele faz com que, ao ter estímulos sexuais ou de carinho e amor, sejam eles quais forem, internos ou externos, nosso corpo responda e o desejo e a excitação aparecem. O desejo responsivo, aliás, é o que costuma estar mais frequentemente na vida de casais que passam mais tempo juntos.

Estresse, ansiedade, preocupações financeiras, obrigações com a casa, trabalho, filho, parceiro (a) e outras coisas muitas vezes fazem com que o cuidado conosco e com a vida sexual de casal sejam negligenciados, por isso é importante alimentar sempre o copo do desejo, que eu comento aqui e no meu instagram.

Assim como um copo de água fica vazio se a gente não levantar e colocar líquido dentro, se não fizermos nada para encher o nosso copo de desejo, não teremos desejo para nos relacionarmos sexualmente, correto?

Precisamos saber o que atrapalha, e lembrar que não é suficiente encher o copo do desejo apenas na hora da relação sexual. Afinal de contas, as preliminares duram da última relação sexual até a próxima, todo o período entre uma e outra – tempo que pode ser possível esvaziar ou encher ainda mais o copo.

E se você não sabe ao certo o que fazer para enchê-lo, separei algumas dicas que vão ajudar a aumentar o desejo!

  • Carinho, atenção, cuidado, falar a mesma linguagem de amor, romantismo (se o outro gostar) são formas da pessoa te querer mais perto.
  • Beijos, beijos e beijos. Além de demonstrações de afeto, são demonstrações de desejo, e não devem ser apenas precursores do sexo. Não esqueça que existem vários tipos de beijo! Não fique apenas no estilo selinho, e muito menos o beijo na bochecha e na testa – isso é coisa de mães, filhos, tios e avós.
  • Toque físico. Aqui vale sentar perto, ficar de mãos dadas, abraços, cafuné, carinho, massagens, deitar de conchinha, assistir filmes/seriados juntinhos, entre tantos outros toques possíveis.
  • Dê asas aos estímulos. Tenha claro quais estímulos te aguçam: corpo bonito, gostoso, bate-papo inteligente; peito atraente; decote; vestimentas sociais; perfume; músicas; romantismo; locais especiais; filmes eróticos/pornôs; ser cuidado(a). Esteja atento a eles e, ao olhar, não desvie o pensamento para os boletos que estão esperando o pagamento. Fantasie, cultive o estímulo!
  • Assista a filmes ou leia livros que tenham sedução, atração, sexualidade. Se gostar, veja filmes eróticos e/ou pornô eventualmente, ou procure por livros e contos nessa linha.
  • Tomem um delicioso banho juntos!
  • Façam uma massagem erótica um no outro.
  • Tenha prazer com você mesmo. Masturbe-se! Autoconhecimento e prazer corporal com auxílio mental.
  • Provoque, estimule o (a) parceiro (a), deixe no ar o que você gostaria de fazer, o que você está fazendo ou pensando com a pessoa, o que você lembrou que já fizeram. A imaginação e a fantasia são seus aliados para o desejo.
  • Sexualidade é muito mais do que apenas sexo (penetração), existem outras maneiras de se satisfazer e satisfazer o outro.

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".