Síndrome do impostor: O que é e como identificar.

Você já se sentiu incapaz, você já sentiu que o que você faz não é o suficiente, e que todo mundo é melhor do que você? Você já se sentiu uma fraude?

Já aconteceu de você receber um elogio sobre uma tarefa bem executada, um trabalho bem feito, e você responder imediatamente com algo como: “ah, que isso, não foi nada”, por que você realmente acredita que o que você faz não é nada demais, e pensa que alguém poderia ter feito muito melhor do que você?  Se você se identifica, atenção: este pode ser um indício da síndrome do impostor.

A síndrome do impostor é uma desordem psicológica na qual a pessoa não consegue aceitar e admitir suas conquistas, pois acredita que todo o seu sucesso e êxito se devem à sorte ou porque alguém ajudou. Assim, a pessoa acredita que é uma fraude, e que a qualquer momento alguém irá desmascará-la.

Esta síndrome é muito comum em jovens no início de carreira, em pessoas que têm profissões competitivas, pessoas mais inseguras e que internalizam críticas e falhas, e em mulheres. No entanto, qualquer pessoa pode desenvolver esta síndrome, e em qualquer idade, sendo mais comum quando a pessoa está em uma posição de ser alvo de julgamentos – como quando ao receber uma promoção no trabalho ou iniciar um novo projeto.

Quais sinais indicam a síndrome?

Diante do medo de serem desmascaradas e apontadas como um fracasso, as pessoas que se sentem impostoras elaboram uma série de mecanismos de defesa para lidar com o sentimento de insegurança e inadequação. O portal Psicologia Viva listou cinco sinais que indicam a síndrome do impostor.

1- Esforço exagerado

Quando falamos em esforço exagerado, não estamos nos referindo apenas à dedicação e ao trabalho duro, mas à obsessão por mostrar resultados que justifiquem o sucesso e eliminem qualquer tipo de dúvida em relação à capacidade da pessoa.

2 – Autodepreciação

Excesso de autocobrança, intolerância às próprias falhas e necessidade de agradar a todos são alguns dos traços das pessoas que se consideram impostoras. Acreditam que não são boas o bastante e que não merecem o sucesso que têm.

3 – Medo de exposição

Por medo de ser descoberto, avaliado e julgado, o indivíduo com síndrome do impostor tenta passar despercebido, prefere a discrição e evita exposições. São pessoas que sofrem em silêncio e raramente dividem suas apreensões com alguém, justamente por terem receio de que os outros venham a concordar com sua incapacidade.

4 – Procrastinação

As pessoas com essa desordem têm o hábito de adiar tarefas e compromissos, isso porque são perfeccionistas e têm medo de que o resultado de seu trabalho seja insatisfatório e criticado por outros.

5 – Autossabotagem

O suposto impostor enxerga o fracasso como algo inevitável e, impulsionado pela alta carga de ansiedade, começa a agir de forma a minar suas próprias conquistas.

E como driblar a síndrome do impostor?

Para se libertar da síndrome do impostor, o primeiro passo é reconhecer esse problema e buscar um aconselhamento e acompanhamento com psicólogo. Com a ajuda de um profissional qualificado, você conseguirá ter mais autoconhecimento, autoconfiança e autoestima. O acompanhamento psicológico vai ajudar a descobrir quais são seus pontos fortes e talentos para fortalecê-los, assim como respeitar suas falhas e limitações, reformular o pensamento e compreender que ninguém é perfeito.

Existem também algumas atitudes que as pessoas podem tomar para ajudar a acabar com essa sensação de que é uma fraude ou incapaz:

Aceite elogios: Pessoas que sofrem da síndrome do impostor na maior parte das vezes não conseguem aceitar elogios de outros. É essencial ressaltar neste caso que elogiar é uma maneira de reconhecer um trabalho bem realizado, um dom, um talento especial. Portanto, se você está sendo elogiado com frequência, não há motivo para imaginar que todos ao seu redor estão sendo falsos contigo, falando coisas boas só para te agradar. Comece a aceitar esses elogios de coração aberto e tente se sentir grato e orgulhoso de si mesmo. Essa sua atitude pode mudar muitas coisas na sua vida para melhor.

Admita os seus pontos fortes: Você pode ter tido um pouco de sorte para estar onde está hoje, mas não ache que o seu sucesso dependeu apenas desta eventualidade. É muito importante ter a humildade de compreender que você não sabe tudo e nem é bom em todas as coisas que faz, mas há um momento em que é necessário reconhecer que você tem muitos talentos, ou, do contrário, não estaria no posto atual. Uma boa dica é anotar os seus pontos fortes em um caderno e ler a lista diariamente, principalmente quando se sentir triste. Lembrar-se de suas características marcantes poderá auxiliá-lo a tirar a crença de que não é bom o bastante.

Divida o seu conhecimento com o próximo: É muito fácil esquecer o quão longe podemos chegar e tudo que aprendemos no caminho após certo tempo no mercado. Por este motivo, oferecer aulas, lançar um blog pessoal e ensinar outro profissional poderá ser uma mão na roda para lembrá-lo de todas as suas realizações.
Compartilhar os conhecimentos também é uma ótima dica para fazer com que você se apaixone de novo pelo que faz. Sem contar que esta atividade alivia o estresse.

Não faça comparações: Um dos sintomas mais comuns de quem sofre com a síndrome do impostor é a de se comparar com outras pessoas. Por isso, a primeira recomendação é esquecer o sucesso dos outros nas redes sociais, por exemplo. É preciso viver a sua vida, com as competências e fragilidades de qualquer ser humano, respeitar a sua experiência e lembrar que você não é uma fraude e é apenas você, do seu jeito.
Por isso, a dica mais importante é desligar-se um pouco das redes sociais para não cair na tentação de se comparar com os outros. Muitas vezes o que vemos não corresponde com a realidade.

Agora que você sabe sobre é a síndrome do impostor e, se esse problema estiver afetando sua vida, não hesite: procure ajuda.

Para saber mais!

No último episódio do Saí de casa, as apresentadoras Luisa Accorsi e Manu Carvalho bateram um papo sobre a Síndrome do impostor e como driblar essa desordem que afeta o nosso bem-estar emocional. O episódio já está disponível nas principais plataformas de áudio.

Por Sandro Christy