Algumas pesquisas mostram que a paixão dura, em média, dois anos. Se você está num relacionamento que já passou desse tempo, como está o ritmo do casal? E a frequência sexual, diminuiu?

Isso é bastante natural de acontecer, não se preocupe! O que me chama atenção é que cada vez mais os jovens casais, casados ou “juntados” há pouco tempo, vivem uma relação que parece mais amizade do que namoro – e aqui o namoro é válido para qualquer relacionamento, até casamentos de longo prazo, pois manter alguns hábitos e não deixar o copo do desejo esvaziar é fundamental.

O beijo vira aquele selinho, que às vezes vemos mães e pais dando em seus filhos; abraços e carícias mais apaixonados viram toques de carinho e respeito, que aparecem entre amigos e família; a intimidade, que deveria aumentar, diminui, e o sexo se torna cada vez mais raro, normalmente feito apenas para satisfazer o(a) parceiro(a), quase como um dever.

Se identificou? Então presta atenção nessa lista que eu montei, com alguns motivos que podem estar afetando o seu relacionamento:

  • Afazeres do dia a dia – tarefas e cuidados com casa, com os filhos, com o trabalho, entre outras mil demandas. Ou seja, a tal rotina. Prioriza-se tudo, menos o casal.
  • Estresse e ansiedade – as preocupações constantemente permeiam os pensamentos, sejam elas as finanças, o trânsito, a segurança, entre outros.
  • Mídias e tecnologia – o tempo utilizado nos celulares, notebooks, tablets, aplicativos, redes sociais, etc. Quando vemos, essas tecnologias “roubaram” boa parte do tempo em que poderíamos estar namorando, nos relacionando presencialmente, tendo um momento de lazer para si e/ou para o casal.
  • Individualismo – as pessoas muitas vezes ficam “ensimesmadas”, focam apenas nas suas vontades e desejos, e não se preocupam com as vontades e desejos do companheiro. Assim, cada um faz o que quer fazer, e de vez em quando estão juntos. É, sim, importante que cada um tenha momentos sozinhos, mas o equilíbrio é fundamental.
  • Falta ou má comunicação do casal – aquele diálogo sincero em que ambos podem expor suas vontades, desejos, fantasias e dúvidas não é praticado, pelo contrário, brigas e discussões frequentes e o que acontece são ressentimentos e mágoas o tempo todo, podendo resultar em distanciamento.
  • Linguagens de amor diferentes – ambos se amam, mas a forma de demonstrar, não enche o tanque de amor do outro, então ambos são se sentindo não amados, valorizados, queridos.

Conseguiu encontrar quais podem ser os principais pontos de impacto no seu relacionamento?  Por que quando o relacionamento ganha mais tempo o pensamento é de que a vida já está resolvida? É este o momento em que a grande paixão dá espaço para o amor, e com as obrigações do dia a dia é preciso mais dedicação para continuar conquistando o outro.

Como estão as coisas da sua vida nas quais você coloca energia e dedicação? Bem? Ou pelo menos melhor do que se não tivesse colocado, não é mesmo? Então porque no relacionamento e na sexualidade deveria ser diferente? Se esforce para ter sempre o momento a dois de forma especial e não apenas na correria da rotina. Faça acontecer. Retorne ao período de namoro da pessoa amada – vale desde um jantar especial a um filme juntos debaixo das cobertas, um carinho ao passar pela pessoa, um beijo mais apaixonado, além de conversar abertamente sobre a relação, sobre o sexo, sobre o que podem melhorar, sobre as vontades. Lembre-se de beijar muito, os beijos são poderosos. Estão assistindo à TV ou vendo um filme? Faça carinho no(a) seu(sua) parceiro(a). Fiquem juntos. Lembre-se de falar e demonstrar o “eu te amo” todos os dias. Esteja aberto para fazer terapia individual, de casal, de família, e até mesmo sexual se acharem que precisam.

E então que tal retomar o período de namoro e reconquistar a pessoa amada?

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".