Você se considera uma pessoa perfeccionista? É daquelas que se cobra para realizar tudo da melhor maneira possível, não se permite falhar ou acredita que deve fazer as coisas para que “os outros” gostem e para que todos gostem?

E na área da sexualidade? Você consegue identificar se também tem essas mesmas cobranças com o seu desempenho sexual – ou até do/a parceiro/a?

Uma situação comum com as pessoas perfeccionistas é não se permitir ou não investir no aprender sobre si mesmas (desejos, vontades, preferências, o que enche o copo do desejo ou o que esvazia), ou sobre o/a parceiro/a, por exemplo, e já falamos aqui sobre e a importância do autoconhecimento. O pensamento fundo é de que “eu já deveria saber tudo”, “deveria ser tudo espontâneo”, muito em função das altas expectativas criadas.

As comparações também são grandes vilãs nessas horas… “para ser bom tem que ser igual da novela, dos filmes, de como os outros dizem que fazem, ou do pornô”. Essa autocobrança por um desempenho irreal (“ter desejo, ereção, orgasmo, sempre”) tem efeitos negativos, e muitas vezes prejudica o momento da relação, já que de tanto pensar e desejar isso, o foco sai do presente, das sensações e então o prazer fica prejudicado.

E quando a cobrança pelo perfeccionismo é no outro? Se o homem não consegue ter a ereção, ou não faz chegar ao orgasmo, pode haver o pensamento de que “ele não me ama ou deseja”, ou que “não é homem o suficiente”. Novamente a questão da comparação, e o mito de que o homem deve sem autoconhecimento, espontâneo, expectativas pra ter desejo!

Se você percebe que estas são questões que te afetam na vida social e na vida sexual, procure ajuda especializada. A sexualidade deve ser bem vivida, e não precisa ser perfeita!

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".