“O que que eu to fazendo aqui?” era a pergunta que rondava minha cabeça no meu primeiro dia de trabalho.

Naquele dia, eu tinha deixado minha filha em casa com gripe, medicada pra febre e com meu coração em milhões de pedaços.

Era meu primeiro dia de trabalho, em um lugar incrível, com pessoas incríveis e projetos mais legais ainda.

Era o dia marcado para que eu pudesse começar a resgatar aquela mulher lá dentro de mim que amava trabalhar.

E era também o dia em que eu ouviria diversas vezes: “você tá aqui com a gente ou foi pra outro planeta?”

É bem verdade que a maternidade é mesmo um outro planeta. Os dias passam diferente e as horas do dia não tem o mesmo impacto. São minutos que demoram anos para passar e anos que passam em um piscar de olhos.

E lá estava eu: com 1 hora de almoço. Eu nem sabia o que fazer com aquela hora, já que acostumei meu corpo a comer em 5 minutos com um bebê no colo ou segurando a barra da minha saia. Nem preciso dizer que comi em 5 minutos, né?

Eu podia ir ao banheiro quando quisesse. Sozinha.
Tomar água, café, fazer um lanchinho, parar pra conversar… Sobre o que eu falaria, se só ela me vinha na cabeça?

Eu tinha tudo, absolutamente tudo o que reivindiquei nos 10 meses em que fiquei em casa.
Mas faltava ela.

Uma parte indissociável do meu corpo que ainda estava ligada a mim umbilicalmente sem prazo de validade.

A extensão do meu corpo que fazia meus olhos brilharem e me lembravam que eu era co-criadora, ao lado de Deus, na expansão do planeta.

Só Ele e eu (e você, mãe que me lê) temos o poder de criar vida do nada.

“O que que eu to fazendo aqui” passou pela minha cabeça muitas vezes naquele dia, e no outro e no outro até que cheguei a pensar que talvez eu não quisesse trabalhar tanto assim. Isso acontece com muitas mulheres, mas no meu caso a pergunta cessou e eu me encontrei.

Tenha paciência com você.

Pode ser que você ame trabalhar ou ame mais ficar em casa em tempo integral.
Poder ser ainda que você encontre um meio termo no caminho, mas você só vai descobrir tentando e persistindo.

Esse caminho é só de vocês e só vocês tem a resposta.
Não tem regra, nem certo ou errado.
Vocês vão conseguir!

Andressa Rosa

Eu era roteirista, aí virei mãe da Malu e nunca mais consegui parar de falar sobre isso. Hoje tenho um blog, um podcast e muita história boa pra contar!