A palavra SORORIDADE, por definição, é:

“Substantivo feminino: Relação de irmandade, união, afeto ou amizade entre mulheres, assemelhando-se àquela estabelecida entre irmãs.
Trata-se da união de mulheres que compartilham os mesmos ideais e propósitos, sendo caracterizada pelo apoio mútuo evidenciado entre essas mulheres.”

Isso porque, ao longo dos anos, foi construída e reforçada por muitos, a cultura da inimizade entre mulheres. E grande parte disso, veio da sociedade patriarcal que promoveu, desde sempre, a rivalidade feminina. Seja de forma evidente ou sutil.

Foi quando em 1970, a escritora Kate Millett, líder feminista daquela época, propôs a palavra “SORORIDADE” com o fim de construir uma ideia para lutar em seu dia a dia como ativista, e assim, obter a união social entre mulheres, sem que haja diferença de classes, de religiões ou de grupos étnicos. Sob o lema “Mulheres do mundo, unam-se!”

E para falar mais sobre isso, bem como, respeitar o local de fala das mulheres sobre o assunto, convidei as jornalistas: Ana Flavia Lapa e Fernanda Khaled. Confira;

Quem conta a nossa história? Sororidade: Contexto e aplicabilidade

Quando discutimos sobre sororidade, precisamos levar em consideração que a palavra teve origem na expressão “soror”, latim para “irmã”, e foi adotada e popularizada pelo movimento feminista para que os intensos laços entre mulheres, criados pela difícil vivência do gênero feminino em um mundo embasado nas leis do patriarcado, se tornassem uma rede de segurança onde poderíamos encontrar apoio dentro uma irmandade, tirando forças do incentivo uma das outras.

Diferente do que muitos pensam, o conceito não diz respeito a ignorar erros e atitudes vindas de mulheres, mas sim, nos direciona a reflexão da origem de comportamentos estereotipados e considerados naturais – quando na verdade tem uma grande influência social. Além disso, a sororidade visa quebrar a ideia de que mulheres são inimigas genuínas, mito criado justamente para impedir que formássemos grupos de resistência ao status quo e descobríssemos como somos mais fortes unidas.

Não há jeito mais eficaz de impedir que um grupo marginalizado se rebele do que convencê-lo de que sua luta não é a mesma, e para isso o patriarcado usa uma das ferramentas mais eficazes: a mídia. filmes, livros, propagandas…Tudo meticulosamente roteirizado para que vejamos a garota ao lado como uma competidora. Ela roubará a atenção, o emprego, o amor e a autoestima que lhe pertencem por direito. Mas será mesmo? Ou quem conta essa história é justamente o lado que se beneficia de nossa fragilização?

Apesar de soar como um movimento de difícil acesso, uma vez que ele pede por desconstrução de pensamentos aos quais estamos expostos diariamente, a verdade é que os pequenos atos são também um grande passo em direção ao que o conceito prega. Ajudar mulheres em situações desconfortáveis ou perigosas em festas ou na rua, elogiar traços que não são considerados o padrão de beleza, cuidar do bem de suas colegas, tirar do vocabulário ofensas machistas e apoiar a liberdade de expressão feminina são sinais da união entre mulheres.

Ao adotarmos os ideais da sororidade, passamos a negar a participação em uma guerra que nos imposta, e ganhamos parceiras para nos acompanhar em nossas vitórias. Acolher nossas irmãs e deixar que sejamos acolhidas pode ter efeitos positivos em todos os aspectos de nossa vida, a começar por ter ao seu lado uma aliada que entende as batalhas que travamos no dia a dia e está disposta a ajudar na sua evolução.

Juntas somos mais: Sororidade e o mercado de trabalho

Assim como a Ana citou, a sororidade é algo para se quebrar. Essa ideia de que aquela mulher está competindo com você, se torna ainda mais evidente quando falamos sobre sua carreira.

O assunto parece batido, mas não é. Os números indicam que a desigualdade de gênero no Brasil ainda permanece. Quase 70%, segundo dados do IBGE, e ainda de acordo com o instituto, apenas 41,8% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres.

Ser mulher e escolher seguir sua própria carreira não é fácil, e só quem é mulher vai me entender. Enfrentar isso sozinha é trabalhoso e, muitas vezes, pode ser um processo doloroso e abusivo, ter uma mulher para te apoiar e ajudar, é o que pode tornar o caminho mais “leve”, uma vez que, ela sim sabe as dificuldades que você enfrenta apenas por ser mulher.

Nos unirmos é a melhor maneira para que nossas empresas, carreiras e projetos tenham visibilidade, e é aí que se encaixa o termo sororidade, só outra mulher vai entender as dificuldades e rótulos que você vai enfrentar na construção de sua carreira.

Existe sim um preconceito com mulheres que guiam suas próprias profissões, e a conexão e apoio vindo de outras mulheres. Porém, a união e empatia, podem sim mudar o rumo da história, ajudando alguma colega próxima que está começando seu próprio negócio, ou na hora de consumir algo, procure sempre por empresas fundadas por mulheres, ajudando e fortalecendo o empreendedorismo feminino. Vale ressaltar que nos últimos dois anos, cerca de 9,3 milhões de mulheres tomaram à frente de diversas empresas no Brasil, o que representa 34% de todos os donos de negócios do país. Uma conquista, que aponta que a gestão feminina está cada vez mais forte. O que na verdade é fruto da união e lutas das mulheres.

Construir pontes no lugar de barreiras

E é para desmistificar e desconstruir essa cultura da inimizade feminina, bem como, entender mais sobre o assunto, que Saí de Casa, te convida para bater um papo sobre empatia, respeito e união entre mulheres.

O Episódio já está disponível, então corre para conferir.

Por Sandro Christy, Ana Flavia Lapa e Fernanda Khaled