Morar no exterior é o sonho de muitos brasileiros por vários motivos, mas é preciso saber que nem tudo são flores

 

Quem nunca pensou em sair do Brasil e morar, mesmo que por apenas alguns meses, fora do país? A experiência de viver no exterior é sem dúvida um privilégio e são muitas as vantagens de arrumar as malas e ir embora. Só que é importante também ter em mente que nem tudo são flores. 

Sair do Brasil pode te dar a oportunidade de viver em um país com uma qualidade de vida muito superior a nossa. Além disso, pode ajudar na busca por um emprego ou então em ter aquela paz de espírito de viver em uma cidade tranquila e segura. Mas a adaptação em um país diferente não é fácil e diferenças culturais podem ser um empecilho real para imigrantes brasileiros. 

 

Prós: morar em um país seguro

 

Sem dúvida uma das maiores vantagens de morar fora do Brasil é poder buscar um lugar que tenha segurança e serviços públicos que funcionam. Aliás, esses fatores acabam sendo dentre os principais que levam os brasileiros a sair do nosso país. 

Assim, destinos na Europa e América do Norte acabam sendo muito procurados. Recentemente a procura de brasileiros por maneiras para emigrar para Viena, na Áustria, por exemplo, tem aumentado muito. Isso porque alguns países como Portugal, Itália, Espanha e Inglaterra já aparentam estar um pouco “saturados”, enquanto países que não são tradicionais destinos de imigrantes brasileiros ainda parecem ter muitas oportunidades.

Além disso, não dá para negar que a Áustria é um país com excelente qualidade de vida, super seguro e com serviços públicos excepcionais. A capital, Viena, está constantemente no topo da lista de melhores cidades para se viver. Não só é uma cidade com ótimo transporte público, educação, opções de cultura e segurança, como também é uma cidade histórica linda, cheia de pontos turísticos de cair o queixo.

Morar em um país seguro, onde tudo parece que “funciona”, realmente é um enorme ponto positivo para quem quer sair do Brasil. 

Confira aqui alguns artigos sobre a Áustria para aprender um pouco mais sobre o país:

 

A linda cidade de Innsbruck, na Áustria

 

Prós: morar em um país com muitas oportunidades de emprego

 

Provavelmente empatado no fator “segurança” está o critério “emprego” para quem quer emigrar do Brasil. Afinal, não é segredo que a situação do país está cada vez mais complicada e mesmo quem tem altas qualificações tem dificuldade em encontrar empregos bons no país.

Daí, explorar o mundo acaba sendo uma possibilidade. E um país que com certeza aparece sempre na lista de “por que não?” dos emigrantes brasileiros é o Canadá. Nosso companheiro de continente americano, o Canadá tem várias vantagens. Uma delas, claro, é a língua, já que o inglês é a língua oficial e mais falada na maior parte do país – e a segunda língua mais comum entre vários brasileiros.

Além disso, a possibilidade de encontrar um visto de estudos ou empregos sempre acaba atraindo o brasileiro para o gigante canadense. Morar em um país onde há possibilidades de emprego e onde direitos trabalhistas são respeitados, onde seu salário consegue sustentar uma ótima qualidade de vida… Tudo isso é uma vantagem de morar fora.

Confira mais sobre o Canadá:

Montanhas rochosas do Canadá. Foto: Virginia Falanghe

 

Prós: morar em um país que traga diferentes experiências culturais

 

Por fim, outra enorme vantagem de sair do Brasil é poder morar um país que te traga diferentes experiências culturais. Mesmo que por um tempo limitado, a experiência de viver fora e as trocas culturais que isso traz certamente só agregam não só ao currículo, mas à vida de qualquer pessoa. 

Um lugar super interessante para se viver várias experiências diferentes, por exemplo, é a África do Sul. O país já fica em um continente menos explorado por brasileiros, que costumam viajar mais para América do Norte ou Europa tanto para férias quanto em busca de oportunidades de emprego. Mas a África do Sul também é um país cheio de possibilidades e oportunidades.

Além disso, é de uma diversidade cultural incrível. Para se ter uma ideia, o país tem 11 línguas oficiais! Tem cidades grandes e populosas, mas também uma costa com belas praias, safáris no interior do país e um monte de destinos e experiências culturais diferentes para se viver.

Leia mais sobre a África do Sul:

Contras: estar distante da família e amigos

 

Só que como dissemos, nem tudo são flores nessa vida de imigrante. Estar distante da família e dos amigos, por exemplo, é uma reclamação constante de quem mora fora do Brasil. E isso acaba sendo mais complicado quanto mais “isolado” você está. 

Por exemplo, quem vive na Argentina tem uma experiência bem diferente de quem vive na Austrália. Morar fora do Brasil, mas ainda perto, traz a possibilidade de receber visitas e visitar seus amigos e familiares com mais frequência. Só que pergunte a quem mora na Austrália: é um país maravilhoso de se morar, mas seus amigos vão antes para os Estados Unidos ou Europa, pois dar praticamente a volta ao mundo não é tão simples ou barato. 

Além disso, estar distante (em termos de longitude) do Brasil também implica em estar em um fuso horário totalmente diferente. Ou seja, até para conversar pela internet com seus amigos acaba ficando mais complicado. 

O jeito é se preparar psicologicamente para essas questões e planejar. Planejar para guardar um dinheiro e visitar o Brasil, planejar para marcar uma ligação com quem você ama em um horário que funcione para todo mundo, e postar muitas fotos maravilhosas do seu país escolhido para dar vontade nos amigos e convencê-lo a fazer uma visita.

Veja mais sobre como é morar na Austrália ou Buenos Aires:

Esperance, em Western Austrália. Foto: Virginia Falanghe

 

 

Contras: adaptação com climas diferentes

 

Outra questão constante entre imigrantes brasileiros é a adaptação a climas diferentes. Não adianta: moramos em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Outros países têm outros climas e outras belezas. 

E mesmo quem gosta do frio pode ter dificuldades. Afinal, uma coisa é o friozinho de 15 graus de São Paulo ou Rio de Janeiro em Julho. Outra totalmente diferente é um frio negativo, de você não conseguir sair na rua porque seu rosto congela. Mesmo quem se adapta bem ao frio ainda precisa se preocupar com outro problema do inverno em altas latitudes: os dias curtíssimos. Só quem vive um inverno no norte da Europa, por exemplo, para entender o que é acordar no escuro, ficar até 8, 9 horas da manhã no escuro e dar tchau pro sol lá para as 3 e tanto da tarde.

Na Inglaterra, por exemplo, isso acontece com frequência. O país ainda é famoso pela névoa no inverno e isso faz com que as pessoas fiquem literalmente dias sem ver o sol. Você sai na rua e está dia, mas não consegue apontar a posição do sol no céu. Mesmo em um país lindo como a Inglaterra, com pontos turísticos históricos em cidades grandes como Londres ou até cidades de praia como Brighton, isso pode abalar o emocional de qualquer um, especialmente dos brasileiros.

Para ajudar com a adaptação em climas muito frios (falamos do frio porque com o calor o brasileiro já está mais adaptado!), há várias coisas que podem ser feitas. Para começar: se prepare. Frio é relativamente fácil de lidar, com as roupas certas, com meias quentinhas e com aquecimento que sua casa muito provavelmente vai ter se você morar em um local com invernos rigorosos.

Além disso, é importante conferir seus índices de vitamina D, porque sem sol fica difícil ter vitamina D, então uma ida ao médico anual para se preparar para o inverno é importante. Outra coisa que ajuda a lidar com a falta de sol é aprender com seus conterrâneos a curtir o inverno. Aprender algum esporte de inverno, conhecer cafés com lareiras para tomar um chocolate quente enquanto lê um livro, realmente abraçar essa temporada. E curtir muuuuuito um Natal branquinho com neve.

Veja um pouco mais sobre a Inglaterra:

 

Contras: adaptação cultural

 

Por fim, outra grande dificuldade de qualquer imigrante, não só o brasileiro, é a adaptação cultural. Em alguns países isso se torna ainda mais difícil do que outros. Por exemplo, para nós que somos latinos, essa adaptação pode ser mais tranquila em países da América do Sul ou então Portugal, Espanha, Itália.

Só que quem se muda para países de uma cultura bem diferente pode, sim, ter dificuldades de adaptação. Na Alemanha, por exemplo, a população em geral (depende bastante da cidade, claro), é mais fechada do que no Brasil. A cultura germânica valoriza bastante a privacidade, o respeito ao próximo, que se traduz em silêncio em lugares públicos, por exemplo. Isso tem suas vantagens, claro, mas também seus desafios para quem vem de uma cultura calorosa como a do brasileiro. 

Pessoalmente, não concordo com quem diz que “quando em Roma” viva como os romanos. Mas para não sofrer tanto com diferenças culturais, sem dúvida é importante se integrar. Para começar, por mais difícil que seja (especialmente no caso do alemão – ai!), aprender a língua local faz muita diferença. Ter amigos locais, também. Ao mesmo tempo, ter um grupo de amigos brasileiros pode também ajudar muito na sua adaptação. Afinal, existem laços e risadas que só fazemos e só damos quando na nossa língua materna. 

De um modo geral, claro que se sair do Brasil e morar fora é seu sonho, corra atrás para que ele se realize! Há muitas vantagens de morar fora, mas se prepare bem (até com as nossas dicas aqui) para as desvantagens. Elas existem, mas não são insuperáveis, prometemos! Boa sorte e boa viagem! 🙂

Virginia Falanghe

https://dicasdeviagem.com

Jornalista, apaixonada por viagens, natureza, aventuras e em compartilhar dicas para ajudar mais pessoas a viajarem mais e melhor. Quando não está viajando, está lendo, escrevendo ou falando sobre destinos do Brasil e do mundo. Gosta de conhecer a fundo cada lugar, por isso não acredita em contá-los. Já pisou nos cinco continentes e fez algumas paradas longas para morar na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Portugal. Atualmente, mora em São Paulo e escreve dicas de viagens no site da Jovem Pan, integra a equipe do programa Mulheres da Pan como especialista em turismo e também é editora-chefe dos sites Dicas de Viagem e Viva o Mundo.  Uma boa leitura e ótimas viagens.