Você sabia que enquanto ocorre um beijo o corpo produz substâncias mais poderosas do que a morfina em termos de efeito narcótico? É por isso que um casal pode sentir euforia ou êxtase durante um beijo. Um dos motivos para que isso aconteça é que o tato labial é extremamente sensível, mais até do que o tato dos dedos. E que, durante o beijo, você coloca 29 músculos faciais em movimento – se for bem romântico, longo e acalorado, pode ainda queimar muitas calorias?

O beijo é uma das formas mais conhecidas de demonstração de afeto, carinho, prazer, tesão, ajuda também a relaxar e a reduzir os efeitos do estresse, mas mesmo assim muitas pessoas esquecem dele, sabia disso?

Se você está em um relacionamento, me responde uma coisa: como estão os beijos entre vocês? Na maior parte das vezes são selinhos ou são beijos de língua? O beijo pode ser um importante termômetro de como está a relação entre o casal, a sintonia, intimidade física e emocional.

Normalmente no início dos namoros as bocas parecem não conseguirem se desgrudar. Ao longo do tempo, os beijos mais quentes vão se espaçando devido à rotina, ao tempo, aos problemas e a não priorização de namorar, e muitos casais esquecem desta intensa forma de prazer e de demonstração de carinho, amor, desejo e tesão. Na quarentena, então, com muitos casais vivendo juntos o isolamento social 24h por dia, beijar pode ter ficado esquecido em algum momento longínquo, lá quando o mundo ainda era “normal”!

Ou o beijo aparece na hora do tchau de manhã cedo e no retorno para casa, a noite – e muitas vezes é só um selinho, ou até mesmo, apenas um beijo na testa! – ou o beijo de língua só passa a acontecer como uma espécie de aviso para quando um ou outro quer relações sexuais, quase uma preliminar. Mas e fora deste momento? Onde ficou o namorar, o momento a dois, o beijo de língua que demonstra amor, carinho, intimidade, e que vai encher o tanque do amor ou/e o copo do desejo? Vale lembrar que não precisa necessariamente acabar em sexo, mas também sem o beijo, pode faltar intimidade.

Em tudo o que queremos mais, queremos que dê certo, acreditamos ser importante, existe uma dedicação, uma intenção, um esforço, um tempo para aquilo. No caso do beijo, do casal, a mesma lógica serve. Talvez não seja tão ‘espontâneo’ como na época da paixão, no início do relacionamento, mas se gostamos, amamos a pessoa, por que então não demonstrar com beijos mais intensos?

Estes são indicativos de que é importante dar uma parada na correria habitual do dia a dia e questionar a dedicação, o afeto, as demonstrações e a intimidade. Beije. Beije sempre. Beije de selinho, sim, mas beije também de língua e assim aumentar aquela vontade boa de querer mais.

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".