Seguindo nosso mês de resoluções de fim de ano com foco na sexualidade, o papo de hoje é pensando no relacionamento!

E antes que você desista de ler por estar solteira, um aviso: que tal refletir sobre como está o seu relacionamento com você mesma?

Se você namora, é casada ou está junto com alguém, me responda: como você definiria seu relacionamento neste ano? Tem algo que pode ser melhorado?

Um dos principais temas que ouço no consultório quando o assunto é relacionamento é a comunicação . Seja por não conseguir expressar os sentimentos, não falar sobre as vontades e necessidades, por comunicações agressiva ou passivo-agressiva (sarcásticas, com ironia), “engolir” sapos com medo de magoar o outro ou por esperar pela “bola de cristal”, ou seja, que o/a parceiro/a adivinhe se tem algo que te chateia. Tudo isso podendo gerar brigas, discussões, desentendimentos, mágoas, ressentimentos e afastamento, inclusive sexual, já que será mais difícil se “entregar” para a pessoa com todos esses sentimentos reverberando.

Como funciona por aí? Você se identificou em algum desses exemplos? Que tal tornar uma melhora na comunicação (mais assertiva e não violenta) entre o casal uma meta para o próximo ano?

Outro assunto que também está relacionado à comunicação e que pega muitos casais são as Linguagens do Amor. O conceito, criado por Gary Chapman, diz que nós temos cinco diferentes formas de sentir, demonstrar e entender o amor.

Recentemente fiz uma live lá no meu Instagram sobre o tema:

É comum que os casais falem linguagens de amor distintas, e consequentemente surge a falsa sensação de que você não está mais sendo amada, valorizada e admirada. É como se o tanque do amor fosse se esvaziando aos poucos…

Mas a boa notícia é que você pode aprender não só a reconhecer a sua linguagem principal e a do/a companheiro/a (temos todas, mas em ordem de importância diferentes), como também a “falá-la”, e assim se conectar melhor e demonstrar o amor de uma maneira que ele/ela entenda.

“Paula, mas se eu começar a falar a linguagem do outro, não vai parecer artificial”?

Essa pergunta também é muito comum entre os meus pacientes, e eu gosto de responder com outra pergunta: “tudo o que você faz na vida é de forma totalmente espontânea”? Provavelmente não, né? Você lava a louça não porque gosta, mas porque precisa. Você dá comida para o seu animal de estimação ou molha as plantas mesmo em dia que está super cansada/esgotada porque sabe da importância de cuidar deles… então porque você não pode aprender a falar a linguagem principal do outro como um ato de amor?

Vamos tirar essa visão errônea do “amor romântico” dos contos de fadas! Se dedicar ao relacionamento é parte fundamental, e nem sempre será de forma espontânea. Beije, abrace e cuide diariamente!

E novamente vale lembrar que isso vale não apenas para o relacionamento com outra pessoa, mas também com você mesma. Lembre de olhar para si com olhos gentis. Questione e entenda se você está em paz com seu corpo, com a sua sexualidade, com o seu autoconhecimento.

Depois de ler e pensar sobre tudo isso, que tal anotar algumas metas para o seu relacionamento em 2021?

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".