“Paula, eu faço sexo até que com bastante frequência, mas acho que meu sexo não é ‘bom’, porque eu não sei muitas posições, e ele acaba sendo ‘normal’”.

Vamos voltar duas casas nessa conversa?

Primeiro me conta: o que é sexo “bom” ou sexo “ruim” para você? É algo que você sente, por não ser confortável ou não trazer prazer, ou é pela comparação (muitas vezes injustas ou distorcidas) do que você vê na pornografia, redes sociais, filmes e novelas?

Há uma visão deturpada, quase uma “ditadura do sexo”, de que é preciso ter essa intensidade, quase uma performance, para que o sexo seja bom. O que é bom para mim pode não ser para você, e isso vale do sabor da pizza às preferências na hora da relação sexual.

Sexo gostoso de verdade é quando as pessoas conseguem estar 100% entregues à relação, focados nas sensações, na exploração do corpo como um todo, e não pensando em seguir um script com a obsessão de chegar ao orgasmo, por exemplo. É ter o foco no prazer, na entrega, sentir o corpo falando (dança do vai e vem) e o prazer mútuo.

Por isso que para saber se o sexo foi “bom” é fundamental cada um ter o seu próprio entendimento de sexo bom e se dedicar a ele. Envolve o autoconhecimento, saber o que excita, como se sente excitada, de que maneira prefere ser tocada, quais são as zonas erógenas do corpo, e compartilhar isso com a parceria para aumentar o prazer e explorar novas formas. Todo mundo pode ter sexo bom!

Você pode se dedicar a explorar, se permitir sair do piloto automático e testar uma nova posição, ainda que não seja algo malabarístico. Ou quem sabe mudar o lugar da casa onde costuma ter relações, o horário, preparar mais o clima e o ambiente para o sexo. Vale também conversar sobre as preferências de cada um e não deixar a sexualidade em segundo plano.

Mais do que posição ou um fetiche a ser cumprido, o sexo “bom” vai acontecer quando ambos se dedicarem ao seu próprio prazer e a descoberta do prazer um do outro. E então, o que sexo “bom” para você?

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".