8 de março, próxima segunda-feira, é comemorado o Dia Internacional da Mulher, data fundamental para relembrar a luta das mulheres pela igualdade de direitos, e que também nos ajuda a refletir sobre alguns preconceitos sofridos por grupos considerados pela sociedade como minorias ou minoritários. O que estamos fazendo ou deixando de fazer para que consigamos, juntos, diminuir as injustiças?

Apesar de ser um dia de extrema importância, com todas as raízes históricas dessa luta pelos direitos da mulher, eu gosto de lembrar que não é somente em 8 de março que a mulher deve ser valorizada, assim como não é apenas em 15 de julho que o homem deve comemorar seu dia, ou que os namorados só devem comemorar o amor em 12 de junho. Todos os dias são os dias das mulheres, e também todos os dias são os dias dos homens. Todos os dias são os dias de todes (de serem valorizados e respeitados)!

Mas hoje eu gostaria de focar na data e destacar as conquistas da mulher na área da sexualidade! Ainda há muito para crescer, mas aos poucos os preconceitos e tabus vão sendo superados (melhorados), os diretos sexuais estão sendo mais respeitados, e o prazer, a masturbação e o simples fato de falar sobre sexo tornam-se coisas um pouco mais naturais.

Separei alguns tópicos para refletirmos:

  • Podemos falar de sexo – Cada vez mais o tabu em relação à sexualidade vem diminuindo. Agora podemos conversar mais, tirar dúvidas (algo que eu sempre destaco no Sexplicando), aprender mais sobre os temas referentes à sexualidade e desta maneira termos a chance de ter uma vida sexual prazerosa e saudável;
  • Temos mais informações de sexualidade – desta maneira é mais possível se prevenir contra as infecções sexualmente transmissíveis e contra uma gravidez indesejada, ter prazer, e sermos responsáveis pelo que queremos ou não para nossa vida sexual;
  • Podemos demonstrar prazer – agora as mulheres têm mais direito ao prazer sexual sem serem julgadas como “da rua” ou “prostituta” (ainda em processo, machismo ainda muito presente). Podemos também escolher se queremos procriar, e esta não é mais uma condição imposta. E com isso os homens também se beneficiam, já que a “responsabilidade” de sentir e dar prazer pode ser dividida;
  • Autoconhecimento corporal – cada vez mais constatamos a importância do autoconhecimento corporal, como a masturbação (feminina ou masculina), uma forma de conhecer melhor os órgãos genitais, de saber onde, como e com qual intensidade se tem mais prazer e poder dividir, se quiser, esta valiosa informação com o(a) parceiro(a) – acessórios e brinquedos sexuais para estes fins ou para fim de prazer com o outro também podem ser ótimos.
  • Exploração do corpo como um todo – a genitalização da relação sexual, ou seja, usar como única fonte de prazer os órgãos genitais, ainda é algo muito presente na nossa cultura e na pornografia. Mas aos poucos as pessoas estão percebendo e aprendendo que o corpo inteiro pode ser uma grande zona erógena (áreas de prazer), que cada um tem as suas preferências e que às vezes também pode mudar. Por isso vale lembrar que a única forma de se conhecer é explorar!

A sexualidade vem passando por mudanças, mas ainda há muito para ser conquistado. Que não somente o Dia Internacional da Mulher, e não somente as mulheres possam contribuir e lutar por essas conquistas e transformações, mas que a igualdade seja uma luta de todos!

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".