O mês de setembro começa com duas datas importantes: hoje, dia 4, é do Dia Mundial da Saúde Sexual, e dois dias depois, 6/9, é comemorado o Dia do Sexo!

E como celebrar essas datas em meio à pandemia de coronavírus que vivemos? Já tratei aqui neste espaço sobre alguns temas relacionados:

Como manter a vida sexual ativa com segurança em tempos de pandemia

Como tornar o sexo virtual seguro durante a quarentena

Como o isolamento social impacta a sexualidade?

Hoje a ideia é falar sobre as mudanças que aconteceram (e seguem acontecendo) nestes quase seis meses de quarentena. Há casos de pacientes que relataram uma melhora no sexo durante este período, pois com mais tempo em casa puderam aproveitar melhor os momentos, se dedicaram ao casal e até se permitiram ousar e experimentar novas posições ou um acessório erótico – as vendas, inclusive, dispararam. No período de março a julho foram vendidos um milhão de produtos eróticos (50% a mais do que no mesmo período de 2019), segundo dados do portal Mercado Erótico.

Mas há também, claro, relatos negativos. Para alguns o período maior de convivência resultou em mais brigas, menos sexo (por diversos motivos, como não ter um tempo só para o casal, em função dos filhos, mais preocupações e estresse, baixa de libído, etc) e aumento de casos de separações. Segundo levantamento do Google, a pesquisa pelo termo “divórcio online gratuito” cresceu 10 mil % nos últimos meses.

Entre os solteiros, o dilema: como extravasar o prazer sexual? Muita gente se dedicou ou descobriu mais a masturbação, e também o uso de vibradores – algumas cidades estrangeiras chegaram a distribuir o produto, e incentivaram o “prazer consigo mesmo”.

Ainda sem vacina, vários dos “ensinamentos” da quarentena devem permanecer, e alguns hábitos criados também podem continuar para ajudar na sexualidade.

Independentemente de qual time você se encaixe, aproveite o Dia Mundial da Saúde Sexual e o Dia do Sexo para olhar, repensar e aproveitar a sexualidade. Você sabe, por exemplo, quais são os seus Direitos Sexuais?

São 16, reconhecidos pela Associação Mundial para Saúde Sexual:

– O direito à igualdade e à não discriminação

– O direito à vida, liberdade, e segurança pessoal.

– O direito à autonomia e integridade corporal.

– O direito de estar isento de tortura, tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante.

– O direito de estar isento de todas as formas de violência e coerção.

– O direito à privacidade.

– O direito ao mais alto padrão de saúde possível, incluindo saúde sexual; com a possibilidade de experiências sexuais prazerosas, satisfatórias e seguras.

– O direito de usufruir dos benefícios do progresso científico e suas aplicações.

– O direito à informação.

– O direito à educação e o direito à educação sexual esclarecedora.

– O direito de constituir, formalizar e dissolver casamento ou outros relacionamentos similares baseados em igualdade, com consentimento livre e absoluto.

– O direito a decidir sobre ter filhos, o número e o espaço de tempo entre eles, além de ter informações e meios para tal.

– O direito à liberdade de pensamento, opinião e expressão.

– O direito à liberdade de associação e reunião pacífica.

– O direito de participação na vida pública e política.

– O direito de acesso à justiça, reparação e indenização

Não esqueça que a camisinha não previne apenas a gravidez, mas é o único a proteger contra a Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Se for ter relações sexuais, certifique-se que o outro está se cuidando e sem sintomas de coronavírus.

Pratique o autoconhecimento. Sozinha ou acompanhada, se toque, se conheça, se divirta!

E feliz dia do sexo para todas e todos.

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".