Em 17 de maio é celebrado o Dia Internacional contra a Homofobia, e para falar desse tema tão importante eu escolhi trazer uma reflexão sobre os padrões que carregamos, e o que é a tal diversidade que tanto tem se falado atualmente.

Para começar, gostaria de usar o conceito de Reinaldo Bulgarelli, educador e estudioso da diversidade humana: “diversidade é o conjunto de diferenças e semelhanças entre as pessoas, são as características que diferenciam e aproximam uns dos outros. Diversidade é a complexidade e unicidade como pessoas e espécie, pode ser identificada nas etnias, raças, cor, sexo, orientação sexual, gênero, identidade de gênero, padrão corporal, preferências, deficiências e muitas mais. Diversos somos todos”.

No entanto, a palavra diversidade é, muitas vezes, utilizada como um sinônimo de minorias ou grupos que sofrem preconceitos (homossexuais, negros, mulheres, portadores de deficiência, entre outros) e por detrás dessa associação existe o conceito de padrão, a “normalidade”. O que está fora deste conceito (“à margem”) são os diversos (diversidade).

Mas quem são os normais?

Observe esses dois exemplos do cotidiano: shampoo para cabelos normais e lápis cor de pele. Existem cabelos anormais? Qual é o padrão que está sendo usado para definir os cabelos normais? Normais para quem e em que continente? Cor da pele de quem? Qual pele é a “padrão”? Por que consideramos o que é mais frequente como “padrão”, e o que está fora é tratado como errado ou com menos valia?

É possível que você nunca tenha parado para pensar sobre essas situações, mas alguns padrões nos são impostos, de forma mais ou menos explícita por meio da cultura, da história e da religião. É o conceito de naturalização, de carregar algo que nasceu e conosco e foi reforçado com o tempo, como ouvir frequentemente que “o natural é ser heterossexual”; “as mulheres são naturalmente mais carinhosas/emotivas do que os homens”; “as mulheres naturalmente têm mais habilidades para cuidar dos filhos e da casa”; “os homens têm naturalmente mais desejo sexual”.

Felizmente nós estamos sempre em evolução, em transformação, e o que é considerado normal hoje pode ser diferente do que era há alguns anos. Mulheres, por exemplo, não podiam votar nem jogar futebol. A homossexualidade era considerada doença e acreditava-se que a masturbação fazia mal à saúde.

Além das diferenças históricas, existem também grandes diferenças regionais. A remoção do clitóris (cliterectomia) é permitida em alguns países da África e da Ásia, e causa estranheza no Brasil. Há países que permitem o casamento homossexual, e outros em que casais do mesmo sexo podem adotar crianças, mas é algo “padrão” no mundo todo.

Os conceitos de “normal” e “correto” devem, sim, ser questionados, pois estão ligados a diversos fatores mutáveis. Refletir sobre este tema é de extrema importância, já que há muitas consequências para quem está nesta “diversidade”. Vemos diariamente casos de preconceito, discriminação, segregação, agressões e até mesmo mortes.

Que tal aproveitar essa data simbólica contra a homofobia e quebrar pré-conceitos?

Não somos iguais a ninguém, somos todos únicos! O importante não é do que ou de quem uma pessoa gosta, mas sim quem ela é, quais são seus valores.

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".