Há exatamente um ano, a campanha Ela Decide Seu Presente e Seu Futuro foi lançada no Brasil pelo Fundo de População das Nações Unidas.

A iniciativa tem como objetivo promover o empoderamento e os direitos das mulheres para que alcancem seu pleno potencial e possam fazer valer suas decisões sobre sua sexualidade e reprodução. Entre as representantes do setor privado que se comprometeram com as metas, o grupo Accor, líder mundial em viagens, que atua em 100 países diferentes, conseguiu registrar inúmeros avanços nesse contexto de empoderamento feminino e igualdade de gênero.

Na América do Sul, 55% dos colaboradores são mulheres e 51% dos cargos de chefias e cargos gerenciais da rede são ocupados por mulheres. E, no Brasil, 50% dos cargos de chefia na empresa são preenchidos por mulheres.

Ele por ela (He For She)

Além dos números, a rede também implantou a iniciativa #eleporela, da ONU, com objetivo de envolver os homens em desempenhar um papel na diversidade e participar na mudança de mentalidade. Os três principais compromissos são:

  • Paridade no pagamento e representação de mulheres na empresa
  • Entendendo e defendendo o envolvimento masculino
  • Avançando nosso conhecimento sobre o “trabalhador ideal”, e sobre as mudanças do setor de hospitalidade

Para entender como isso funciona na prática, Magda Kiehl, SVP Jurídico, Riscos e Compliance Accor América do Sul, concedeu uma entrevista exclusiva sobre o tema ao EVA:

EVA: Qual é o maior desafio da rede no Brasil para a equidade de gênero?
Magda Kiehl:
Aqui, o maior desafio é o de constantemente engajar nossos mais de 20 mil colaboradores na América do Sul, sempre buscando quebrar estereótipos e promover em nossa empresa o empoderamento feminino, o combate ao assédio sexual e a igualdade de gênero, removendo as barreiras sociais e culturais que impedem as mulheres de atingirem o seu potencial. Para isso, estamos constantemente desenvolvendo e apoiando ações com o intuito de reforçar a importância de iniciativas globais em prol desses objetivos, que fazem parte da nossa missão e valores.

O RiiSE, por exemplo, é um desses programas que tem como objetivo incentivar a diversidade em cargos de liderança para a geração de ambientes de trabalho inovadores e mais produtivos. O intuito é de combater a desigualdade salarial, estereótipos, sexismo cotidiano e assédio sexual. O programa foi lançado em 2012 e hoje engloba mais de 14 mil membros no mundo todo. Na América do Sul, o comitê conta com cerca de 750 membros, entre homens e mulheres.

Outro importante movimento que apoiamos e que é essencial para a conscientização sobre o tema e, inclusive, mudança de mentalidade, é o He For She (Eles por elas), da ONU (Organização das Nações Unidas). O compromisso assumido pelo CEO Global da Accor, Sébastien Bazin, em 2015, que tem como principais compromissos para a Accor: 35% dos cargos gerenciais ocupados por mulheres, paridade no pagamento e representação de mulheres na empresa, entender e defender o apoio masculino nessa jornada e avançar o nosso conhecimento sobre o “trabalho ideal” e sobre as mudanças do setor de hospitalidade. É importante citar que o alcance da igualdade de gênero requer uma abordagem inclusiva, que reconheça o papel fundamental de homens e meninos como parceiros dos direitos das mulheres, convocando-os para que sejam parceiros igualitários na elaboração e implementação de uma visão comum de igualdade de gênero que beneficiará a todos.

EVA: Que tipo de ação é necessária para equiparar cargos e salários entre homens e mulheres?
Magda Kiehl: Colaboradoras do Grupo são orientadas em seus desenvolvimentos profissionais e pessoais visando sua ascensão a cargos de gerência e direção. Atualmente, o Mentoring conta com 900 pares – sendo cada par formado por um diretor e uma gestora –, distribuídos em cerca de 20 países. Além disso, na América do Sul, há também o Mentoring For All para colaboradoras em nível de supervisão/chefia, no qual os gerentes atuam como mentores e as duplas são formadas, de preferência, com participantes de  de marcas diferentes e das sedes, para que o câmbio de informações seja mais proveitoso.

EVA: Que tipo de treinamento é dado à equipe para que uma mulher se sinta à vontade nos hotéis da rede?
Magda Kiehl:
As equipes são treinadas para proporcionar uma estadia com conforto, privacidade e segurança para todos os nossos hóspedes, sem distinção de gênero. Entretanto, alguns serviços e algumas amenidades e orientações são dadas para situações específicas relacionadas à segurança, como por exemplo, não repetir em voz alta o número do apartamento quando outras pessoas estiverem por perto; quando possível, o room service para uma hóspede mulher deve ser entregue por uma colaboradora mulher; nenhum serviço de limpeza e manutenção deve ser realizado enquanto o hóspede estiver no quarto (a não ser que seja solicitado por ele), entre outras iniciativas.

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

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