Marília Mendonça, que tem passado por um processo de reeducação alimentar há mais de um ano, já conseguiu eliminar 20 quilos. Agora, a cantora, de 23 anos, revelou ter aberto mão de cerveja e o cigarro, em entrevista à revista QUEM.

“Então, eu não estou bebendo mais cerveja. Eu tomo outras bebidas alcoólicas, mas a cerveja, eu tive que cortar. A cerveja é mais pesada. Eu tenho consumido bebidas mais leves, como vinho, gim. Mas enjoa, viu?! Esses negócios aí de gente chique, a gente não gosta muito, não. Mas, infelizmente, com a cerveja, era um amor que eu tinha, um relacionamento abusivo. Ela acabava comigo. Mas que dá vontade de beber uma gelada, dá. Ainda mais nesse calor”, brincou.

 

 

Adeus, cigarro!

“Completei um mês sem fumar. Ninguém sabe ainda, mas acho importante eu falar, para incentivar outras pessoas a cuidarem mais da sua saúde. Tem sido um sacrifício, mas eu já sinto uma diferença enorme no meu fôlego nos shows. Acho que como uma pessoa pública, tudo que eu puder falar para fazer bem ao próximo, dar bom exemplo, eu devo compartilhar”, acredita a estrela, que costuma conversar frequentemente com seus fãs no Twitter sobre assuntos diversos.

 

Mulheres sofre mais os efeitos do álcool

Historicamente, o maior consumo de álcool sempre foi atribuído aos homens. Nos últimos anos, estudos mostram que as mulheres têm aumentado significativamente a ingestão de bebidas alcoolicas, não só em relação à quantidade, mas também à frequência.

A equiparação no consumo de álcool entre homens e mulheres, no entanto, pode ressaltar ainda mais a desigualdade entre os gêneros quando o assunto é saúde. Isso porque as mulheres são mais vulneráveis aos efeitos do álcool do que os homens por diferenças na composição biológica.

Mark.C/Nappy

Motivos 

“Um dos motivos é a menor quantidade de água presente no corpo, o que faz com que a substância fique muito mais concentrada em seu organismo”, alerta a biomédica Erica Siu, coordenadora do Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool. “Além disso, as mulheres também apresentam menores níveis das enzimas que metabolizam o álcool, demorando mais para eliminá-lo do organismo”, emenda a especialista em dependência química.

Tudo Isso faz com que, quando consumidas as mesmas quantidades de bebidas alcoólicas que os homens, as mulheres apresentem níveis mais elevados de álcool no sangue e demorem mais tempo para metabolizá-lo, ou seja, os efeitos ocorrem mais rapidamente e tendem a ser mais duradouros. “Com isso, elas têm maior probabilidade de ter problemas relacionados ao álcool (dependência e outros danos à saúde) com níveis de consumo mais baixos e/ou em idade mais precoce do que os homens”, alerta Erica.

Números

Segundo Erica, estudos recentes mostram que homens nascidos entre 1891 e 1910 apresentaram risco 3 vezes maior de beber de forma nociva e sofrer consequências negativas relacionadas ao álcool do que as mulheres nascidas na mesma época. Essa relação de risco diminuiu para 1,2 vez entre aqueles nascidos de 1991 a 2000. Ou seja, com o passar do tempo, a diferença entre os gêneros quase desapareceu.

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Ainda segundo o Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2018, da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 1,6% das brasileiras preenchem critérios para abuso ou dependência (2016), demonstrando uma diminuição em relação a 2010, quando a prevalência estimada era de 3,2% entre as mulheres. No entanto, é importante ressaltar que, no mesmo período, houve um aumento no Beber Pesado Episódico (BPE)*, quando é ingerida grande quantidade de álcool em curto período de tempo, entre as brasileiras. Em 2010, 5,2% entre mulheres reportaram esse padrão; enquanto em 2016 o índice subiu para 6,9%.

Álcool na gravidez

A ingestão de álcool durante a gravidez pode provocar distúrbios fetais que vão do retardo de desenvolvimento à chamada síndrome alcoolica fetal, caracterizada por anormalidades físicas comportamentais e cognitivas. “Por atravessar a barreira placentária, o álcool pode causar efeitos danosos no feto, incluindo hiperatividade, déficits de atenção, aprendizado e memória”, diz Ana Paula Aquino, médica ginecologista e especialista em reprodução humana da Huntington Medicina Reprodutiva.

“Em doses diminutivas, o álcool possui discreta ou nenhuma ação sobre as funções reprodutiva e sexual. O consumo crônico e prolongado, no entanto, prejudica todos estes aspectos”, acrescenta Ana Paula. Segundo ela, o álcool interfere nos hormônios femininos, diminui a menstruação, pode causar problemas de ovulação, infertilidade, aumento nas taxas de abortamento e problemas na gestação. Por isso, durante tratamento para engravidar, por exemplo, não é recomendada a ingestão de bebidas alcoólicas. “Está liberada apenas a ingestão de um cálice em alguma ocasião especial (festas ou comemorações), devendo ser evitado o uso abusivo”, conclui.

Beber para relaxar

Para a ginecologista Ana Paula Aquino, as mulheres estão bebendo mais e também se interessando mais em conhecer diferentes tipos de bebidas, não só por terem deixado o papel de dona de casa, mas também porque perceberam que esse assunto também pode fazer parte de suas vidas. “A conquista da independência, a ida para o mercado de trabalho e o empoderamento da mulher diante da sociedade não tornaram o contato com o álcool abusivo, apenas mostraram que o consumo não é só dos homens. Nunca antes a mulher precisou de tanta ajuda para desligar e relaxar, e aí pode usar o álcool como ansiolítico para diminuir o estresse do dia a dia”, opina Ana Paula.

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Outro fator que contribui para aumentar o risco de dependência nas mulheres, acrescenta a ginecologista, é o hábito de beberem sozinhas. “Historicamente, o preconceito manteve as mulheres longe de bares e do consumo em público – e incentivou o consumo exagerado e oculto dentro de casa. Diversos estudos mostram que ficar sozinha com o copo dificulta o controle. Se, anos atrás, beber era considerado feio para as mulheres, e isso ajudava a afastá-las do álcool, hoje o ato é amplamente incentivado”, finaliza.

 

Campanha Dry January: um mês sem beber

Na Inglaterra, uma campanha anual mobiliza pessoas a passarem os 31 dias de janeiro sem ingerir bebidas alcoólicas – é o “Dry January”, ou janeiro seco, em português. Segundo dados do programa:

  • 88% das pessoas economizaram dinheiro;
  • 71% passaram a dormir melhor;
  • 58% perderam peso;
  • 54% observaram melhorias na pele.

 

* Padrão de uso que equivalente a 60 gramas ou mais (cerca de 5 doses* ou mais) de álcool puro em uma única ocasião ao menos uma vez no último mês, está associado a diversos problemas agudos, como acidentes e violência.

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.