Minutos antes de subir ao altar, a gestante Jéssica Victor Guedes, de 30 anos, começou a passar mal e faleceu em um hospital de São Paulo. A morte, divulgada como resultado de uma pré-eclâmpsia, não evitou o nascimento da filha da noiva, Sofia, que está sob os cuidados dos pai, o tenente Flavio Gonçalves. A tragédia surpreendeu os parentes e amigos da noiva e gerou comoção nacional.
Mas, afinal, o que aconteceu poderia ser evitado? O que é pré-eclâmpsia?
O ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, membro do corpo clínico do Hospital Sírio Libanês, dá algumas explicações sobre essa condição que ainda tem causas desconhecidas e atinge principalmente mulheres na primeira gestação geralmente no último trimestre da gravidez.
O que é a pré-eclâmpsia?

Pré-eclâmpsia é uma condição relacionada ao último trimestre de gestação e se caracteriza por elevação dos níveis pressóricos, alteração da função placentária e, em casos mais graves, alterações da função renal da gestante.

Quais são as causas? 

As causas ainda não estão claras, mas se relacionam a um aumento na resistência ao fluxo de sangue dentro da placenta. É mais comum na primeira gestação ou quando a paciente troca de parceiro na primeira gestação com esse novo parceiro. Tem correlação também com pacientes que apresentam maior facilidade de trombose, nas doenças chamadas de trombofilias, como Síndrome antifosfolípede, e nas pacientes com mutações que favoreçam a coagulação do sangue. O excesso de consumo de sódio também favorece o quadro.

Como é diagnosticada?

O diagnóstico se inicia com a medida da pressão alterada da paciente gestante no terceiro trimestre associada a inchaço. A partir disso, procuramos identificar se há perda expressiva de proteína na urina, queda de plaquetas, piora da coagulação, aumento nos níveis de acido úrico e creatinina no sangue e sinais de destruição de glóbulos vermelhos do sangue. Isso determina o diagnóstico da doença.

Quais são os tratamentos?

Inicialmente deve-se remover o sódio (sal) da comida, buscar diminuir estresse e repousar. Mantendo-se elevada a pressão, podemos usar ansiolíticos e anti-hipertensivos e, em casos extremos, internação com repouso total e controle da pressão com medicação intravenosa. Deve-se manter avaliação cuidadosa da vitalidade fetal (avaliar a saúde do feto) com ultrassom seriado com doppler e o momento do parto pode ser antecipado se houver sinais de sofrimento fetal. Em casos confirmados de trombofilias ou pré-eclâmpsia prévia, pode-se associar um anticoagulante em dose profilática desde o início da gestação.

Como evitar?

Não há uma estratégia precisa para isso, mas ajuda o controle de ganho de peso, uso de pouco sal na comida e a realização de exames pré-gestacionais para identificar possíveis riscos de doenças causadoras de trombofilias.

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.