Fazer as malas, vender carro, casa, dar até logo aos familiares e amigos e embarcar rumo a uma nova vida no exterior tem se tornado uma realidade cada vez mais recorrente entre os brasileiros.

Entre janeiro e julho de 2019, quase 22 mil pessoas pediram à Receita Federal a declaração de saída definitiva do país. E, desde 2011, esse tipo de solicitação só cresce. Já são mais de três milhões e quinhentas mil pessoas que emigraram para outros países.

O motivo do êxodo, segundo pesquisas, está ligado aos altos índices de criminalidade e também à crise econômica. Não é à toa, a promessa pela estabilidade, por imposto mais justos, um serviço público com padrões melhores em saúde, educação e segurança atraem milhares de pessoas que deixam tudo aqui no Brasil em busca de condições melhores de vida.

Já tive estes sentimentos à flor da pele, contava os dias para me livrar da insegurança, do estresse das grandes cidades, da poluição e viver com uma melhor qualidade de vida pertinho da praia e usufruindo os benefícios dos países desenvolvidos. Me planejei por três anos para mudar definitivamente para a Austrália, consegui um visto de longa duração e lá fui eu, com cachorro, noivo, mala e cuia para a terra dos cangurus.

Para quem tem esse sonho, assim como eu, compartilho alguns aprendizados que gostaria que tivessem me contado antes de embarcar para longe de casa:

 

1. Se é um sonho, vá atrás

Saiba distinguir um sonho de uma fuga. Já conheci muitas pessoas que colocam as expectativas e soluções de problemas pessoais na saída para o exterior. Mudar de lugar não é o que vai resolver problemas internos. Por isso, faça uma análise dos reais motivos de você querer sair, muitas vezes a solidão da vida no exterior pode, inclusive, agravar o que você está passando.

Agora, se ter uma experiência fora do Brasil é um sonho, seja para estudar, agregar ao currículo um novo trabalho, aprender uma nova língua, viver novas experiências e sair da zona de conforto, não pense duas vezes. Vá de coração aberto, expanda seus horizontes e aprenda o máximo possível. É uma oportunidade que sempre trará bons frutos para levar ao longo de toda a vida.

Algumas ideias de destinos para quem está começando a planejar um intercâmbio:

 

2. Um bom planejamento faz toda a diferença

Um planejamento bem feito pode te livrar de várias dores de cabeça fora do país. Primeiro, é preciso encontrar o visto que mais se encaixa com o seu perfil. Existem tipos de vistos para estudantes ou até mesmo um Work & Holiday que dá a permissão de trabalhar por um ano, em período integral, em alguns países.

Visite agências de intercâmbio especializadas no país que você quer ir. Elas tem conhecimento das melhores oportunidades de bolsas de estudos, opções de trabalho e leis imigratórias para te orientar a fazer as melhores escolhas.

Outro conselho é se preparar para chegar com o melhor conhecimento possível do idioma. Falar bem a língua local é porta de entrada para tudo: conseguir um bom emprego, fazer amigos nativos e até mesmo para se virar bem com situações básicas do cotidiano, desde saber o que está comprando no supermercado a até mesmo ler placas de trânsito.

Veja mais sobre planejamento aqui:

 

3. Prepare-se para a saga por um visto

No planejamento, prepare-se para muita burocracia e papelada para conseguir embarcar. Os trâmites para mudar de país podem perdurar anos. Por isso, paciência é essencial.

Quem vai como estudante precisa passar por alguns testes de proficiência da língua, ter cartas de recomendações de antigos empregos ou instituições de ensino, fazer uma carta demonstrando suas intenções no país e muitas vezes até comprovar vínculos com o Brasil.

Já quem vai aplicar para a residência através de um sistema de pontos, como no caso do Canadá, é preciso investir em educação aqui no Brasil (como uma pós-graduação), aprender francês e ter experiência profissional para conseguir aplicar. E, depois de ter o perfil aprovado, é preciso correr atrás de toda a papelada.

É, sair para morar no exterior não é tão fácil como fazer pudim. É preciso ter muita força de vontade, comprometimento com o sonho e dedicação para fazer tudo acontecer.

 

 

4. Fortaleça o emocional

Antes de ir, não pense que tudo será mil maravilhas. A vida no exterior pode ter inúmeras vantagens, mas também há pontos que podem mexer com o emocional no meio do caminho. Inclusive, é preciso aprender a lidar com a solidão.

Sair da zona de conforto, ter dificuldades financeiras na hora de recomeçar, fazer amizades do zero e lidar com a saudades que bate forte algumas vezes são alguns dos pontos mais complicados.  Terá dias que você vai querer voltar, mas é preciso dar a chance para a nova experiência e ser flexível. Morar fora é um aprendizado constante.

Alguns lugares onde há uma comunidade de brasileiros que podem te ajudar a se sentir em casa:

 

 

 

5. Procure atividades que acrescentem

Como diria o ditado: “mente vazia, oficina do Diabo”. Por isso, quando a novidade e a euforia da chegada passam, é preciso encontrar atividades que sejam enriquecedoras para ocupar a cabeça e começar a fazer a vida lá fora.

Procure uma academia, aulas de algum assunto que te interesse, participe de grupos, clubes e estabeleça uma rotina enriquecedora. Assim, é possível construir uma rotina agradável que faça a vida melhor.

 

 

6. Aproxime-se da cultura local

De nada adianta sair de terras tupiniquins pelos problemas de insegurança, falta de educação de qualidade e não se adaptar a cultura do novo país. Para aproveitar ao máximo o lugar onde você vai, entenda a história, a política e as notícias como se fossem as do próprio Brasil. Assim, fica mais fácil fazer amizades, conseguir um emprego e imergir no dia a dia do novo lugar.

Além disso, é importante entender os costumes e hábitos dos cidadãos. Por exemplo, se o horário de jantar é mais cedo (como nos Estados Unidos), se eles tem o hábito de ir descalços no supermercado (como na Austrália) e entender que isso é completamente normal para eles – e precisa começar a ser para você também.

Veja o que fazer em cada destino para se aproximar da cultura local:

 

7. Afinal, vale a pena morar fora do país?

Tem muita gente que me pergunta: compensa ficar longe das raízes, da família, pela busca de uma vida melhor – mas sem garantias – no exterior?

Bom, cada vivência é única e não há uma fórmula exata do que pode ser melhor para cada um. O que eu posso é falar é sobre minha experiência.

Depois de um tempo do outro lado do mundo,  não vi sentido em ter uma super qualidade de vida, sem ter minha família e amigos queridos por perto para compartilhar tudo aquilo. Sabe aquela frase do filme Na Natureza Selvagem: “a felicidade não é real se não compartilhada”? Então, foi isso que pegou.

Além das pessoas, senti falta de nossa comida, cultura e até de nosso clima. Minha balança pendeu mais para voltar ao Brasil, mesmo com a criminalidade e economia difíceis. Mas pra muita gente, isso não acontece.

Por isso, mais uma vez: cada caso é um caso quando o assunto é morar fora. Vá, viva essa experiência e uma coisa é certa: se nada for como pensou, você sempre terá uma raiz para voltar e te acolher.

 

Virginia Falanghe

https://dicasdeviagem.com

Jornalista, apaixonada por viagens, natureza, aventuras e em compartilhar dicas para ajudar mais pessoas a viajarem mais e melhor. Quando não está viajando, está lendo, escrevendo ou falando sobre destinos do Brasil e do mundo. Gosta de conhecer a fundo cada lugar, por isso não acredita em contá-los. Já pisou nos cinco continentes e fez algumas paradas longas para morar na Austrália, Estados Unidos, Canadá e Portugal. Atualmente, mora em São Paulo e escreve dicas de viagens no site da Jovem Pan, integra a equipe do programa Mulheres da Pan como especialista em turismo e também é editora-chefe dos sites Dicas de Viagem e Viva o Mundo.  Uma boa leitura e ótimas viagens.

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