Barriga estufada, inchaço abdominal, gases, diarreia e outros desconfortos gastrointestinais após consumo de leite e derivados… Você pode ter, sim, intolerância a lactose. Mas, antes de sair cortando de vez o leite da sua dieta, procure um médico para obter um diagnóstico preciso. Se você gosta de bolo, creme de leite e não dispensa um bom queijo fresco, por exemplo, saiba que a lactose está longe de ser vilã da dieta e dos banquetes de muita gente.

Isso porque, em muitos dos casos, o problema pode ser outro: alergia à Caseína A1, proteína que existe na maioria dos tipos de leite no Brasil, mas não em todos. Apesar de ter consequências mais sérias do que a intolerância, a alergia pode ser evitada com consumo de leite que não possui a tal proteína, algo que é bastante comum no resto do mundo.

 

O que é intolerância a lactose

De acordo com a médica Cintia Rios, especialista em longevidade e medicina funcional, quem tem intolerância a lactose (açúcar do leite) sente os desconfortos ao ingerir qualquer tipo de leite animal e derivados. “O paciente intolerante não possui a enzima lactase, responsável por metabolizar o açúcar. Então, a pessoa torna-se sensível pela presença do açúcar não absorvido dentro do intestino, o que provoca uma ação inflamatória na parede intestinal, causando gases.

Alergia à proteína do leite

Estudos recentes do National Institutes of Health, nos Estados Unido, mostraram que muitas pessoas que relatam ser intolerantes à lactose não apresentam nenhuma evidência de malabsorção de lactose. Sendo assim, é improvável que as causas dos sintomas gastrointestinais apresentados por elas estejam relacionados à lactose. Além disso, vêm surgindo fortes evidências de que a Caseína A1 esteja mais relacionada aos problemas nas pessoas. “Essa proteína tem uma cadeia muito longa de peptídeos e, por causa da quantidade de ramificações, ela causa sensibilidade e chance de ter alergia é muito grande. Segundo a legislação brasileira, os rótulos dos produtos devem especificar a presença da substância”, acrescenta a médica.

Os alérgicos podem, simplesmente, optar por um tipo de leite animal e derivados que contenham apenas a caseína A2; são os chamados Leites A2. De acordo com Cintia Rios, aproximadamente 99% do rebanho bovino produz leite rico em A1. Ainda segundo a médica, os casos de alergia provavelmente são mais frequentes na população do que de intolerância.

Em algumas pessoas alérgicas e gripadas, diz Cintia, o leite pode aumentar a produção de catarro. “Por isso, alérgicos ao leite deve-se evitar o consumo a todo custo se estiverem num estado de gripe para não piorar o quadro respiratório”, avisa.

O que é leite A2

Algumas raças de vaca, como Gir, búfalas, cabras e camelas, por exemplo, produzem leite que contém lactose mas não possuem a Caseína A1, apenas a Caseína A2. “No caso de algumas búfalas, por exemplo, o leite e os queijos chegam a ter o dobro de lactose do leite de vaca convencional consumido no Brasil. E, por não terem a proteína que causa alergia, podem ser consumidos por muita gente”, explica Ana Borges, proprietária do lacticínio orgânico Gondwana Organics. “Mas as vantagens nutricionais são enormes, como a maior quantidade de proteína, por exemplo”, complementa.

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A caminho do piquete 20

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Benefícios do leite

Segundo dados da entidade Beba Mais Leite, formada por médicas e veterinárias da universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além do cálcio, o leite contém proteínas, fósforo e outros nutrientes que são essenciais para a saúde óssea, reduzindo o risco de fraturas e prevenindo o aparecimento de osteoporose. Mas, de acordo com a entidade, a prevenção deve começar cedo para se ter ossos fortes por toda a vida.

Para Rita Lobo, apresentadora do canal GNT, ícone de alimentação saudável e defensora do consumo de leite, “alimentar-se de forma saudável não é ficar contando nutrientes: Isso cabe aos médicos e nutricionistas. As pessoas devem se preocupar apenas em preparar a própria comida, usando ingredientes frescos e evitando os produtos ultraprocessados. Isso vale para a introdução alimentar dos bebês, das crianças, vale para a família todas”.

Embora existam outras fontes naturais de cálcio, como as verduras verde-escuras, a entidade Beba Mais Leite defende que o leite de origem animal é a mais importante, pois conta com a presença de caseinofosfopeptídeos, lactose e proteínas que facilitam a absorção do cálcio. Pesquisas citadas pelas médicas indicam que até 75% do cálcio adicionado a bebidas, como o “leite de soja’, se perde, ficando aderido ao fundo das embalagens.

 

Remédios à base de lactase

Ofertados à exaustão mais recentemente nas drogarias e propagandas na web e na televisão, remédios à base de lactase prometem acabar com os desconfortos dos intolerantes. “É uma solução para os dias em que o paciente dá uma escapada na dieta, sem contraindicação”, garante Cintia.

No entanto, como boa parte de quem sente esses desconfortos não é intolerante, mas, sim, alérgico, de nada adianta fazer uso do medicamento sem antes saber em qual caso a pessoa se encaixa.

 

 

 

 

 

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.