Homens não choram. Homens não cuidam da aparência. Homem de verdade é bom de cama. Esses são alguns padrões de comportamento impostos para a figura masculina, na qual força é tudo e sentimentos são fraquezas.

Denominado de masculinidade tóxica, esse conjunto de normas sociais tiram dos homens um direito: o de se sentir vulnerável.

A mestra tântrica Danni Cardillo, formada em terapia tantra na cidade de Nova York (EUA) e certificada na Rede Metamorfose pelo Método Deva NishoK,  explica que essa imposição causa nos homens diversas consequências como a supressão de sentimentos, falta de incentivo em procurar ajuda e encorajamento da violência. “Esse ideal de masculinidade colabora até mesmo para que homens evitem procurar médicos, por não admitirem que precisam, mas os índices de câncer de próstata está aí para mostrar que essa não é a realidade”.

Danni Cardillo

Essa cobrança para serem “machões” o tempo inteiro pressiona os homens a corresponderem expectativas de conduta, que, muitas vezes, acabam se traduzindo em ações violentas. “Na maioria dos casos, ele acaba internalizando seus sentimentos e explanando para a sociedade comportamentos nocivos e que acabam por menosprezar, por exemplo, o papel e a imagem da mulher, gerando até mesmo casos graves de violência doméstica”, explica Danni.

Mal pra elas, mal pra eles

Além da violência para com as mulheres, esse ideal de masculinidade também produz comportamentos nocivos para os homens que, tendem a se envolver em brigas com mais facilidade, sejam elas no trânsito, em casa ou em locais públicos. “Há uma pressão em resolver tudo na mão, na gritaria e na agressividade”.

Até mesmo no trabalho a masculinidade tóxica pode ter consequências fatais. “Isso acontece quando um eletricista acredita que não precisa de luvas, pois o serviço é rápido. Nesse quadro ele está colocando a própria vida em risco e, mesmo sem perceber, sendo vítima hereditária de conceitos e preconceitos internos”, defende.

Além de afetar a si e as mulheres ao redor, a masculinidade tóxica também afeta a relação entre casais. “O homem tem que mandar bem na cama, mas não admite que não tem conhecimento sobre o corpo feminino e acaba buscando ideais em locais inapropriados como na pornografia, que por ser idealizada, reproduz fantasias que não são necessariamente prazerosas na vida real”, aponta.

Novo cenário

De acordo com Danni, o número de homens que passam anos de suas vidas com problemas de disfunção sexual por terem vergonha de admitir tal problema é enorme.

A especialista, porém, acredita que o cenário está mudando. Segundo a mestra tântrica, que atende 90% do público masculino, ela aponta que há um número expressivo de homens que buscam entender suas parceiras e seus sentimentos. “Eu trabalho, em minhas sessões de terapia, principalmente os bloqueios desses homens. Eles me trazem dores sexuais, desde potência a abandono”, exemplifica.

 

 

Paty Moraes Nobre

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Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.