Deficiente auditiva, a analista de sistemas Carolina Correia diz perder momentos em família por não ter seus direitos plenamente respeitados.

O relato faz parte de um abaixo-assinado, criado pela analista na plataforma Change.org, pedindo que o live-action “Turma da Mônica, Laços” contasse com recursos de acessibilidade. A mobilização, que reuniu 152,3 mil assinaturas, teve final feliz: acompanhada de suas filhas e do marido, também surdo, a analista pôde desfrutar de uma sessão de cinema acessível às pessoas com deficiência.

“Foi um prazer experimentar o equipamento de acessibilidade, é o primeiro passo de experiência para mim e a comunidade surda”, conta Carolina, que assistiu ao filme nacional ao lado das duas filhas, Isabella, de 10 anos, e Maria Clara, de 4, que não possuem deficiência auditiva. Segundo a analista, é muito difícil encontrar filmes nacionais acessíveis e dentro de um horário compatível com a rotina das crianças.

Programa familiar comum para a maioria das pessoas, desfrutar de uma sessão de cinema ao lado das filhas é como a realização de um sonho para Carolina, que aprendeu a ler com apoio dos gibis do Mauricio de Sousa, que traduzem em imagens o significado das palavras. Quando tomou conhecimento da campanha criada por Carolina,  a produção do filme entrou em contato com a família para informar que o longa infantil ofereceria legendagem descritiva, audiodescrição (closed caption) e Libras, cabendo, então, aos cinemas a disponibilização dos recursos. 

A saga da analista de sistemas provocou duas redes de cinemas, a Cinemark e a UCI Cinemas, que responderam ao abaixo-assinado, informando detalhes sobre investimentos na compra dos equipamentos de acessibilidade. As redes divulgaram, ainda, uma lista indicando as salas que contam com os recursos pelo Brasil. Confira clicando aqui e aqui.   

“Sem acessibilidade, sem família! Isso toca o sentimento dos pais surdos que têm filhos ouvintes”, desabafa Carolina. 

Garantia de direitos

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) determina igualdade de oportunidades à pessoa com deficiência no acesso a programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades culturais e desportivas. A norma, que entrou em vigor no mês de janeiro de 2016, determinou um prazo máximo de 4 anos (até janeiro de 2019) para que as salas de cinema ofereçam, em todas as sessões, os recursos de acessibilidade.

Convidada pelas duas redes de cinemas pressionadas no abaixo-assinado, Carolina testou os equipamentos de ambas. O aparelho, um pouco maior que um celular, disponibiliza três opções de acessibilidade: Libras, com intérprete virtual ou humano; audiodescrição (para os portadores de deficiência visual); e legendas descritivas. 

Na página da petição aberta pela analista é possível conferir uma lista com as salas de cinema que contam com os aparelhos de acessibilidade – a quantidade de equipamentos é limitada.

A Change.org também hospeda outra campanha, aberta por um deficiente visual, que pede o cumprimento da lei de inclusão para acessibilidade nos cinemas. O abaixo-assinado já soma mais de 302 mil apoiadores. Veja: https://www.change.org/CinemaAcessivel

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

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