Há uma semana, a Justiça de São Paulo condenou a Air France a arcar com os custos do transporte aéreo, com uma UTI (R$ 163.000), para um passageiro não identificado de 41 anos, que passou mal e teve embolia pulmonar durante voo da companhia, que saiu de Paris, na França, com destino ao Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

A causa do problema, segundo o advogado Álvaro Sardinha, que defendeu o passageiro, foi a Síndrome da Classe Econômica, sem dúvida. “Agora, somente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode aceitar um recurso, mas a probabilidade de reverter é muito remota, já que o pagamento já ocorreu e o colegiado por votação unânime manteve a condenação”, explica Sardinha. “Essa decisão é a primeira condenando uma empresa aérea a custear uma UTI Aérea com médicos por conta da empresa”, completa.

Síndrome da Classe Econômica

A Síndrome da Classe Econômica é causada pelo longo tempo que o passageiro permanece sentado por longos períodos. De acordo com Sardinha, a imensa maioria dos passageiros desconhece a síndrome e, em especial, seus sintomas.

Como evitar

Para se evitar a Síndrome da Classe Econômica os passageiros devem andar e fazer alongamentos. No caso de sentirem algum tipo de dor nas pernas ou uma anormalidade cardíaca, devem de imediato chamar um tripulante da aeronave.

“O problema é que as companhias aéreas não treinam adequadamente seus tripulantes”, diz Sardinha. “As companhias ocultam as informações e modo de prevenção, agindo com grande falha na prestação do serviço, o que leva a obrigatoriedade de indenizar”, opina o profissional.

Indicações médicas

Segundo Sergio Pontes, pneumologista e médico do sono Aliança Instituto de Oncologia, o nome popular da síndrome está relacionado diretamente à ocorrência de trombose venosa profunda, que é a formação de coágulos nos vasos dos membros inferiores e que podem se mover pelo corpo em decorrência de estresse principalmente em viagem acima de 8 horas. “Viagens acima de 12h aumentam 5 vezes o risco”, alerta o médico.

De acordo com o especialista, é importante evitar a desidratação pela ingestão de qualquer bebida diurética, como bebida alcoolica ou café, por exemplo. “Pessoas com idade acima de 40 anos, pacientes cardiopatas ou com distúrbio de sangue e pessoas com altura acima de 1,80m têm risco aumentado”, completa Sergio Pontes.

A prevenção indicada é se levantar a cada duas horas por 5 minutos. “Em uma situação mais restrita, indica-se tentar simular o movimento das pernas e fazer massagem na região da panturrilha. Meia de compressão também ajuda a melhorar a circulação na região. Pessoas que não têm restrição a aspirina, que ajuda a evitar o problema, podem fazer uso de 250mg antes de viajar”, finaliza.

 

 

Paty Moraes Nobre

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Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.