Gostar muito de sexo é uma coisa, ser “viciada” nisso é outra. Aliás, o termo mais adequado a ser usado seria “impulso sexual excessivo”. Frequentemente eu recebo pacientes preocupados com isso, por isso acredito ser fundamental esclarecer alguns pontos:

Quando falamos em dependência de qualquer coisa, alguns pressupostos básicos estão envolvidos, como por exemplo: a compulsão, a obsessão, a busca incontrolável de satisfação do desejo e o sofrimento.

“Mas Paula, normalmente são os homens que sofrem com isso, certo?”

Sim, mas mulheres também podem ter esses vícios. Pesquisas indicam que por volta de 2% da população sofre deste mal.

Mas atenção! Não é porque você gosta de se masturbar ou fazer sexo que você faz parte dessa estatística: quem é viciado tem uma relação de necessidade e descontrole com a satisfação sexual, independentemente do local, da pessoa e do momento.

Normalmente os dependentes de sexo, além de precisarem constantemente da relação sexual propriamente dita, costumam ter também a compulsão/obsessão por masturbação, filmes ou sites pornográficos, acompanhantes, entre outros.

Como o assunto é delicado, vale reforçar: não é um problema gostar de sexo, de se masturbar ou sentir prazer vendo pornô, por exemplo. O que é importante entender é que, para quem vive com esse impulso sexual excessivo, o prazer normalmente sentido após as relações sexuais é seguido de angústia e uma ânsia por mais.

A pessoa nunca se sente satisfeita e está constantemente em sofrimento. Para aliviar este sentimento se coloca em situações delicadas que podem atrapalhar a vida afetiva, social e profissional, como: ter que sair de uma reunião para se masturbar; cometer infidelidade frequente; machucar o próprio órgão genital em função do excesso de uso; ter relações sexuais sem prevenções; ser pego em público; dentre outras.

O lado positivo é que existe tratamento para esta dependência. Em primeiro lugar a pessoa deve assumir/perceber que precisa de ajuda. Depois deste passo, psicoterapia, grupos de autoajuda e até medicamentos podem fazer parte do processo de tratamento, que pode ser multidisciplinar. É importante investigar quais são outras fontes de prazer e de alívio de ansiedade e identificar quais são os gatilhos que levam a um maior consumo e recaídas, entre vários outros aspectos que são trabalhados para tratar destas dependências.

O que não dá é deixar para lá, e ver sua vida e das pessoas que são próximas ruir em função disso. A sexualidade é uma parte boa da vida, e deve ser vivida de maneira saudável, prazerosa e que traga felicidade.

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".