por Liliane Rocha*

Estive pensando hoje, 13 de Maio, no dia que nos lembra a abolição, em como falar novamente de um tema que aparentemente não tem novidades.

Como, em uma era de inovação na qual tudo deve ter ares de novidade, de descolado, de interessante, falar sobre uma questão sobre a qual existem pouco avanços.

Como traduzir em palavras para um artigo, uma entrevista, um bate-papo ou uma conversa um tema que diz respeito a milhares de brasileiros que estão diariamente sofrendo as dores de serem negros em um país que passou por 388 de escravidão e celebra hoje 131 anos de abolição da escravatura. Como?

Considerando os dados e fatos que são redundantes (Eu sei que ‘ninguém aguenta mais ouvir’, como já escutei), mas sobre os quais pouco – ou quase nada – se parece fazer a respeito.

Repito, então: Negros são 54% da população brasileira, mas somente 35% dos quadros funcionais, 4,7% da liderança nas 500 maiores empresas brasileiras, 5% do congresso.

Os percentuais, no entanto, sobem quando falamos de insegurança. Do total de homicídios de jovens do país, 75% são negros, 65% da população na extrema pobreza também é negra e a taxa de analfabetismo é mais que o dobro entre pretos e pardos.

São números repetidos, sim, mas o mais impactante para mim é que são milhares e milhares de vidas vivendo a cada dia uma história que se repete. Mesmo onde essa realidade deveria ser diferente, ela se repete. Em fóruns de diversidade, negros especialistas trazendo seu lugar de fala e compartilhando a sua expectativa chegam a 10%, 15%. Se nem nesses espaços conseguimos espelhar a demografia da sociedade brasileira, qual o sentido da mudança que estamos propondo?

Bem, por fim, e como um fio de esperança e protagonismo, fico feliz, pois hoje sou uma mulher negra que é consultora de um grupo de CEOs, o CEO Legacy, iniciativa da Fundação Dom Cabral. Convivo com lideranças nacionais de grandes empresas, empenhadas e trazendo a temática da diversidade, em especial a racial – com força.

* Liliane Rocha é fundadora da Gestão Kairós

Paty Moraes Nobre

https://jovempan.uol.com.br/guiasp

Jornalista e agitadora cultural, atuou como repórter em rádios como Jovem Pan e Band, videorrepórter na TV Cultura, editora de notícias, lifestyle, TV e Cultura nas empresas Globo.com, Editora Globo, Caras e Portal iG. Casada e mãe, escreve sobre gastronomia no Portal UOL, é colunista da Exame Vip, da Editora Abril, e coordenadora das plataformas Mulheres da Pan e Revista Guia SP, da Jovem Pan.

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