31 de julho é comemorado o Dia Mundial do Orgasmo, e eu não poderia deixar de falar sobre essa sensação tão incrível da nossa sexualidade!

O pico máximo/auge do prazer envolve a contração de toda a musculatura pélvica (entre outras partes e sensações), quase sempre seguida de uma sensação grande de relaxamento. Gosto de fazer uma metáfora com o espirro: sabe aquela vontade de espirrar que vai aumentando, aumentando, até que no ápice você finalmente espirra e então relaxa?

Mas se você já começou a ler e está se perguntando ou se cobrando por nunca ter chegado ao orgasmo, calma! 44,4% das mulheres têm alguma dificuldade para atingir o orgasmo, de acordo com a pesquisa Mosaico 2.0, conduzida pela psiquiatra Carmita Abdo, da USP.

E atenção! Às vezes você está em busca daquele orgasmo de cinema, a sensação de “ir até as estrelas e voltar”, algo que é bastante irreal. A verdade que o orgasmo é único em cada pessoa, com diferentes intensidades: “orgasminho”, “orgasmédio” e “orgasmão”.

Muitas mulheres também se preocupam por terem orgasmo pelo clitóris (o “principal”, já que ele tem mais de oito mil terminações nervosas – quase o dobro do pênis), mas não na penetração. A verdade é que orgasmo é orgasmo (pico máximo do prazer), e pode vir de diferentes estímulos, origens e toques em locais do corpo como clitóris, vagina, ânus, mamas e outros.

Se você tem dificuldades, é fundamental entender quais são os motivos. Dificuldade no desejo (falamos um pouco aqui sobre as disfunções sexuais) e na excitação são as primeiras coisas a serem trabalhadas, pois são os passos iniciais para o orgasmo. Outra questão que pode influenciar é nunca se masturbar sozinha ou fazer de maneira automática (sem estímulos para gerar desejo e excitação, apenas com atrito no clitóris), não sentirem nada e desistirem. Autoconhecimento!

E quando a mulher consegue ter orgasmo ao se masturbar, mas não durante a relação? Conversar e deixar explícito como gosta de ser tocada pode ajudar muito. Ninguém te conhece melhor do que você mesma, e ninguém tem o dever de “te dar orgasmo”. A obsessão em atingir o orgasmo também influencia muito negativamente. O foco deve estar em sentir prazer, em curtir o momento, a relação, e ter o orgasmo como consequência, ou não! Afinal, se o sexo foi bom e você sentiu prazer, mesmo sem orgasmo, que ótimo. Fuja da bitolação. E se chegou ao orgasmo, maravilhoso. Esqueça por onde ou como ele veio, simplesmente aproveite!

 

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".