Uma das perguntas que escuto com frequência no consultório e no Instagram é a seguinte: “quanto tempo dura a relação sexual?”, com as variações:  “será que estou dentro da média?”, “minha relação sexual acaba rápido demais?”

Você também já se fez essa pergunta ou questionou algum profissional sobre isso?

Antes de qualquer coisa, é importante definir o que é a relação sexual: para você é apenas o ato sexual e a penetração, ou tudo o que envolve o momento, como os beijos, carinhos e preliminares, até talvez chegar de fato à penetração?

Muita gente se vangloria com amigos e até nas redes sociais de ter feito horas e horas de sexo, mas provavelmente este tempo incluiu a penetração, o orgasmo, e depois uma conversa, a retomada das carícias, dos beijos… o sexo é uma forma de atividade física e o corpo não aguenta se exercitar por horas a fio, sem parar, viu?!

Mas tem outra pergunta importante aqui: precisa mesmo ter um cronômetro sexual?

Não! Muito mais do que quantidade, devemos pensar em qualidade, no prazer que cada um está sentindo. A maratona sexual pode, muitas vezes, até ser desconfortável para quem está recebendo a penetração, já que com o tempo e atrito a lubrificação diminui. Isso pode causar incômodo e deixar de ser bom – e essa não é a intenção de ninguém na hora do sexo, né?

Dependendo do contexto e do desejo do casal, uma “rapidinha” pode ser muito bem-vinda. Às vezes o prazer de uma masturbação mútua pode ser fantástico. E uma relação em que o corpo todo é explorado, com direito a masturbação, sexo oral, posições diferentes e outras preferências, pode ser sensacional.

Já falei isso nos textos anteriores aqui no blog: o importante é saber o que cada um gosta, como gosta, quais são as expectativas, etc., e isso só é possível com muito diálogo, autoconhecimento, confiança e entrega.

paulanapolitano

Psicóloga clínica, pós graduada em Terapia Sexual e em Terapia Cognitivo Comportamental. Também é autora do livro "Sexplicando: sexualidade sem mitos e tabus".