Uma das minhas maiores frustrações na maternidade foi descobrir que eu não era aquela mãe.

Eu sempre me dei bem com qualquer tipo de criança.

Me tornava tia preferida no primeiro encontro.

Brincava horas sem parar (e sem perder a paciência).

Comida, cuidado, conversa… Na minha cabeça, eu levava jeito mesmo.

Criança no meu colo parava de chorar na hora.

E se eu me dava bem com todos eles, sem exceção, na minha cabeça eu seria uma supermãeincriveldapo***todadonadomundoinvencívelquedariaconta.

Quando a Malu nasceu, não demorou muito pra tudo isso cair por terra e eu começar a pedir aos céus para que ela crescesse logo e eu pudesse mostrar que eu era aquela pessoa que conquistava qualquer criança.

Ela não parou de chorar no meu colo diversas vezes.

Eu perdi a paciência de brincar com ela, não aguentava mais conversar com alguém que não me respondia e não interagia comigo.

Alguém que parecia nunca estar satisfeita mesmo que eu já tivesse dado absolutamente tudo o que podia oferecer.

Eu não levo o menor jeito com recém-nascido.

Com bebês.

A conclusão de que eu não era a supermãeincriveldapo***todadonadomundoinvencívelquedariaconta me dilacerou, porque eu desejei a Malu como o passarinho deseja o sol nascendo de manhã.

É claro que hoje nos entendemos melhor e as coisas funcionam melhor também, mas lidar com todos esses sentimentos me trouxe tanta insegurança que eu preciso conversar com você.

Quando engravidei, eu tinha em mente uma pequena me pedindo pra dormir de conchinha porque teve um pesadelo, não um despertador chorando de 30 em 30 minutos sem que eu tivesse ideia do que estava acontecendo.

Eu tinha em mente que nasceria de mim uma criança de uns 3 anos, com hábitos alimentares ótimos, desfralde completo, pedindo histórias pra dormir e me acordando pulando na cama e dizendo “mamãe, eu te amo”.

Cuidar de um recém-nascido é exaustivo, mas é exatamente essa fase de doação integral que está me preparando para viver as próximas alegrias (que também vem cheias de desafios, eu sei).

E o meu recado pra gente começar a semana com o pé direito e com o coração aberto é esse: não se cobre tanto assim.

Cuidado com as expectativas que você mesma está criando dentro de si.

A gente não nasce sabendo ser mãe (ainda que muita gente ainda queira colocar essa missão nas nossas costas).

Pelo menos eu não nasci e estou aqui, todos os dias aprendendo com a Malu e conduzindo essa dança do melhor jeito possível para a nossa família.

Você também achava que levava o maior jeito com criança e se surpreendeu quando seu bebê nasceu?

Conta pra mim!

Andressa Rosa

Eu era roteirista, aí virei mãe da Malu e nunca mais consegui parar de falar sobre isso. Hoje tenho um blog, um podcast e muita história boa pra contar!

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